PR considera Batalha do Cuíto Cuanavale uma das maiores da África subsariana

Seis chefes de Estado da África Austral recordaram a importância da batalha do Cuito Cuanavale para o alcance da paz e da democracia na região

Por: Norberto Sateco, Enviado ao Cuito Cuanavale

João Lourenço considerou a batalha do Cuíto Cuanavale como uma das maiores da África subsahariana, depois da segunda guerra mundial, envolvendo um elevado número de helicópteros, caça-bombardeiros e artilharia de grande calibre.

O Presidente da República de Angola, que na qualidade de anfitrião discursava no acto, fez um percurso histórico da efeméride, tendo destacado a importância da batalha para a manutenção da soberania do território nacional.

Do seu ponto-de-vista, a força e a tenacidade demonstradas naquela altura foram decisivas para, após o fim da batalha, “termos colhido o reconhecimento da comunidade internacional” e reforçado a aliança com as principais forças anti-apartheid.

“A data nunca pode ser esquecida, para que possamos trilhar juntos os caminhos da paz e segurança, garantindo, deste modo, a justiça e a democracia”, referiu o Chefe de Estado angolano, tendo destacado o papel dos sulafricanos, sob liderança do ANC e do seu braço armado, assim como o da SWAPO.

Documentação e marco histórico

Em relação aos documentos secretos dos altos comandos das forças do apartheid sobre o teatro de guerra no triângulo do Ntumpo, que têm sido amplamente divulgados depois de desclassificados, João Lourenço reafirma que a derrota das forças sul-africanas deveu-se à determinação e tenacidade das forças das FAPLA.

Considerou como um dos marcos desta batalha a histórica aceitação da resolução 435 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que efectivou a independência da Namíbia e a libertação de Nelson Mandela na África do Sul.

O inquestionável apoio da antiga União Soviética e de Cuba não foi esquecido pelo Chefe de Estado angolano, por considerar “ser ingratidão se este reconhecimento não fosse observado”.

Democracia na região
Já o Chefe de Estado da Namíbia e presidente em exercício da SADC, Hage Geingob, destacou a importância do evento na abertura de portas para a democracia na região. Chamado a intervir no acto, apontou o facto de o 23 de Março ter sido proclamado Dia da África Austral, dada a sua dimensão histórica.

“Por representar a nossa libertação, podemos olhar para o futuro de forma partilhada. Para nós, esta batalha representa o clímax da luta e bravura para a Independência, onde as forças angolanas derrotaram o regime do apartheid da África do Sul”, recordou.

Combatentes sentem-se reconhecidos Jerónimo dos Santos, um dos oficiais reformados que participaram nesta batalha, afirmou que nesta nova governação já se sentem os esforços das autoridades em reconhecê-los como heróis.

O oficial disse estar em curso um projecto denominado “Fó
rum da Batalha do Cuíto Cuanavale”, que vai reunir todos os segmentos da sociedade no sentido de se dar a conhecer a história da batalha e a sua verdadeira importância para a região austral.

Enalteceu a ideia do Governo de candidatar o monumento a Património da Humanidade, porque vai trazer para esta circunscrição turistas, historiadores, investigadores, estudantes e outros.

Viúva reclama por atenção Isabel Massola faz parte das muitas mulheres cujos maridos tombaram heroicamente nesta batalha, mas, diz, passado este tempo todo, nunca recebeu um único apoio do Estado.

Falando à reportagem de OPAÍS em nome de outras mulheres viúvas, a mulher, que aparenta ter mais de 50 anos, disse ser necessário que o Governo, através do Ministério da Defesa Nacional, resolva o problema que apontou como estando a afectar centenas de viúvas e órfãos de ex-militares no município do Cuito Cuanavale.

Disse que, devido às várias dificuldades por que passam, consubstanciadas na falta de condições sociais básicas, a cada dia que passa o sofrimento aumenta. Mas, ainda assim, Isabel Massola disse estar esperançada que a situação poderá melhorar, realçando que este seu clamor será ouvido pelo Presidente da República.

“ Eu sei que o senhor Presidente João Lourenço está preocupado connosco, e cedo ou tarde vai resolver o nosso problema”, concluiu. No acto que consagrou o 23 de Março como o Dia da África Austral, para além de Chefes de Estado ou seus representantes, contou com a presença do corpo diplomático e como foram condecorados alguns soldados que se destacaram durante esta batalha.

Seis

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