Falta de seminários de empreendedorismo preocupa engenheiros

Os engenheiros Angelino Quissonde e Adérito Costa manifestaram o seu descontentamento pelo facto de, nos últimos tempos, estarem a notar que, dificilmente, se realizam seminários ou workshops de empreendedorismo. Segundo ele, são eventos desta natureza que projectam os jovens formados ou instruídos em qualquer área académica e téctóniconico-profissional, dando a oportunidade de os mesmos exporem as suas valências e habilidades ao público, de modo a atrair para si a credibilidade requerida da sociedade.

“A melhor maneira de se combater o desemprego é motivar os jovens a usar a sua inteligência para cobrir as oportunidades que resultam dos problemas concretos da sociedade. E nada mais do que essas actividades com exactamente duas funções objectivas”, disse o engenheiro de construção, Angelino Quissonde, tendo adiantado que a intervenção de empresários jovens, que lutaram para se impor no mercado, é um ténico que deve acontecer nesse certame. Detalhando as duas funções objectivas dos workshops de empreendedorismo, referiu que, em primeiro lugar, contribuem para tirar os projectos e as valências da academia para a sociedade e dá oportunidade de os jovens se proporem para a resolução de projectos concretos da sua comunidade e não só.

O engenheiro Quissonde adiantou ainda que, com a falta de seminários do género, a sociedade perde meios de solução de alguns problemas, enquanto os académicos deixam de ter paixão, motivação e gosto de estudar os problemas locais. “Porque, quando se tiver de fazer uma investigação, é bom que seja já a nível da comunidade, onde o formando ou instruendo vive, para que ele se torne numa engenhoca com visão concreta”, defendeu Angelino Quissonde.

O surgimento de micro e pequenas empresas é outro assunto sobre o qual se debruçou o entrevistado, ao ponto de considerar que tais organizações depreendem, na maioria das vezes, dos workshops de empreendedorismo. Para o agrónomo Adérito Costa é necessário que as actividades que concorrem para a motivação das pessoas se mantenham, sobretudo quando se tratar de um público- alvo com capacidade para transformar ou produzir. Adérito Costa realçou que, quando há frequência destes workshops, dificilmente se pensa no trabalho dos camponeses, mesmo sabendo que estes constituem a classe que garante alimentação para as famílias.

Quanto à tão propalada diversificação da economia, tanto Adérito Costa quanto Angelino Quissonde, defendem que Angola só vai alcançar a efectivação dessa política, quando se promover e apoiar o empreendedorismo, a criatividade e a inovação. Espaço, a dor-de-cabeça dos organizadores Contactados por O PAÍS, alguns organizadores queixaram-se da dificuldade de se conseguir um local para organizar seminários ou workshps de empreendedorismo e outros eventos, tendo realçado também sobre a falta de apoio.

“As dificuldades maiores são referentes à disponibilidade dos locais para os eventos. Muitas instituições e empresas não dão grande valor a estas iniciativas, também devido à onda que se instaurou na cidade para a organização “anárquica” de eventos, isto, às vezes, dificulta mesmo os apoios institucionais”, contou Inácia Filipe da Intelligence Work(IW-Ideias) A líder da IW-Ideias referiu que existia pouco interesse em apoiar tais iniciativas, porque os empresários e responsáveis de instituições pensam mais no retorno financeiro do que no pano de fundo dos eventos que realizam, que tem a ver com a responsabilidade social e mudança de consciência.

O excesso de burocracia é, no entender de Inácia Filipe, uma grande barreira, que, muitas vezes, resulta na cobrança de preços exorbitantes pelo aluguer de salas, auditorias ou anfi-teatros, mesmo sabendo que o fim dos eventos recaí para a promoção académicoprofissional.

“Há situações em que pedimos para fazer cobertura de 50 por cento do valor do aluguer para cobrirmos a outra parte depois do evento, mas não encontramos compreensão”, informou Inácia Filipe, tendo revelado que alguns dos poucos patrocinadores que costumam apoiar preferem fazêlo depois de lhes agradar o impacto do certame. Finalmente, a organizadora aconselhou os responsáveis do país a apostarem nos jovens “sonhadores” e nas organizações que os promovem.