Benguela: novo secretário da CASA-CE ameaça levar a tribunal o seu antecessor

A nova direcção da cASA-ce em Benguela deverá avançar com um processo-crime contra o seu antigo secretário executivo provincial, Francisco Viena, por não ter ainda devolvido as viaturas e o mobiliário, mas este desvaloriza as ameaças

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O secretário provincial da CASA-CE, Zeferino Cuvíngua, no cargo há um mês, revela que a sua organização já lavrou um processo que deverá remeter à Procuradoria Geral da República para o competente processo-crime contra o seu antecessor, por se recusar a devolver o património que diz ser pertença da organização. “Tudo vai depender do companheiro Viena. Nós não gostaríamos de chegar a este extremo, mas não temos alternativa”, justifica, explicando que o processo está apenas dependente da acção de Francisco Viena: “se devolve ou não as viaturas”, alerta.

Acusado minimiza ameaças

Inconformado com as advertências, Francisco Viena rebate as acusações, apontando o seu sucessor de falta de agenda política para Benguela. O político, que dedica actualmente parte do seu tempo à criação de um partido político, em Benguela, e à actividade empresarial, afirma que quando assumiu a liderança da CASA, esta não dispunha de recursos financeiros para a compra de mobiliário. Explicou que para equipar a sede provincial desembolsou mais de um milhão de kwanzas, para além de benfeitorias que terá feito no imóvel onde funciona. “A CASA não tinha esse dinheiro. Tornou-se naquela força política forte em Benguela porque eu punha dinheiro”, afirmou Francisco Viena, que desafia Zeferino Cuvíngua a intentar uma acção judicial contra si.

“Se ele tiver coragem, que intente uma acção judicial, para ver o que vai acontecer”, diz. Confirmou ter em sua posse uma carrinha, ao passo que a outra se encontra com o antigo secretário para a mobilização. Argumentou que não procedeu até aqui à devolução das viaturas, devido a um processo em sede do Tribunal Provincial de Luanda, movido pelos “independentes” da CASA-CE neste sentido. “Os 18 secretários mantêm as viaturas em sua posse, não porque querem apropriar-se ilicitamente delas, não é por aí”, sustenta o político e advogado Francisco Viena. Fez saber que a agremiação política não terá honrado compromissos e a retenção das viaturas é justificada por força desta situação. “Nós ficamos 6 a 7 anos a dar o nosso cabedal para tornar a CASA na força política que era até nós sairmos”, desabafou. A CASA-CE, segundo ainda Francisco Viena, no tempo de Abel Chivukuvuku enquanto presidente desta coligação, desenvolveu um conjunto de acções no sentido de os secretários provinciais passarem a ter algum subsídio, inclusive os secretários municipais, mas sem sucesso.

Conselho ao seu sucessor

Viena encoraja o actual secretário a fazer um esforço e não ficar dependente da ajuda financeira do novo presidente da CASA-CE, André Mendes de Carvalho “Miau” para a compra de mobília. “Não há nenhum secretário provincial que tenha recebido dinheiro para colocar mobílias nos seus escritórios. Ele que não tenha ilusões”, aconselha. No seguimento das acusações a Viena, tal como noticiou OPAÍS, o actual dirigente da CASA-CE, Zeferino Cuvíngua, tinha dito que Viena deixou um passivo na ordem dos 9 meses de salários em atraso dos funcionários. Este desmente e diz que os únicos funcionários que a agremiação tinha eram da área de limpeza e que auferiam, mensalmente, o equivalente a 10 mil kwanzas. “Lá ninguém ganha. Não deixei passivo nenhum, acha que eu ia deixar passivo de 10 mil kwanzas? claro que não. Ele está a mentir”, contra-ataca.

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