Carta do leitor: quando a Polícia “penteia e despenteia” o cidadão

Os meus melhores cumprimentos à direcção do jornal “OPAÍS” e ao seu corpo redactorial. Caro director, volto às paginas deste jornal para manifestar o meu agastamento com uma situação que geralmente coloca o cidadão numa situação dilema que pode redundar em prisão por desacato à autoridade ou perda de bens de valor, quando não a própria vida, consoante a atitude que o cidadão tomar.

Vem esta preocupação a propósito de se ver a qualquer hora do dia pessoas fardadas de agentes da ordem a interpelarem automobilistas em áreas de fraco movimento, a pedirem que lhes sejam “facurtados” documentos pessoais e da viatura, sem que para tal estejam devidamente credenciados para o efeito.

Cidadãos também são interpelados sem mais nem menos. Sabendo-se com que facilidade até bandidos têm acesso a uniformes e armas usados pela Polícia, como é que numa situação destas o cidadão deve agir? Nem me vou alongar nos cenários possíveis, mas sim questionar a qualidade do serviço prestado pela nossa Polícia.

O que intriga é que não se conhecem amiúde casos de publicitação de casos de agentes que se comportam mal, exorbitam a sua autoridade e poder. Já agora, onde anda a “POLÍCIA caça polícia” que nos finais dos anos 80 e princípio dos 90 deram combate a esse tipo de malandrices conhecidas da super-estrutura policial? Não será já tempo de reactivarem a mesma?

Será que continuará perene a ideia do pente ser o entendimento entre cidadão e o polícia no terreno? Só perguntei com o meu desejo de ver acabar essas situações. Não quero discutir. E despeço-me com um abraço

Nelson da Silva Luanda