Que futuro para os bancos comerciais em Angola?

depois da decisão do Banco Nacional de Angola de encerrar três bancos comercias, o futuro da Banca no país está numa indecisão. É que as instituições bancárias se mostraram incapazes de dar resposta a uma orientação do Banco Central de aumentar o capital social. Em Abril, 12 serão examinados

POR: Patrícia de Oliveira e Iracelma Kaliengue

O aumento do número de instituições bancárias no país representou, para muitos, um passo em frente, pois são os bancos comerciais que financiam a economia. Fruto da restruturação do sistema bancário, resultante do acordo de assistência técnica celebrado entre o Estado angolano e o Fundo Monetário Internacional (FMI), as instituições bancárias do país estão a ser passadas em revista. É nesta senda que três já encerram as portas, não se sabendo qual será o próximo banco a seguir o mesmo caminho. Na visão de Filomena Oliveira, a decisão do Banco Nacional de Angola é boa. “É uma excelente medida. A entidade que superintende o sector tem essa competência.

Temos uma proliferação de bancos que não ajudam a economia”, afirmou. Reforça que as taxas de juro também não são das melhores. “Os bancos não têm servido como devia ser. Estão mais voltados para os títulos de dívida. E depois temos uma promiscuidade, onde gestores e accionistas são políticos com poder de decisão”, considera, sublinhando que ao encerrarem mais bancos a lei deve ser aplicada para todos, e não apenas para uns. “Muitos accionistas destes bancos, que são políticos, desviam divisas para os seus próprios projectos”, acusou. Para a líder empresarial, a bonificação dos juros é uma responsabilidade do Estado. No seu entender, a probidade pública deve ser aplicada no sistema bancário nacional, no sentido de se acabar com alguma desorganização . Para o presidente da Confederação Empresarial de Angola, a banca nacional não responde aos anseios do empresariado.

Francisco Viana afirmou que “não temos uma banca que dá resposta às necessidades dos empresários. Os banqueiros preferem trabalhar com o Estado, pois sentem-se mais seguros”, disse. “Não há o compromisso de se apoiar o sector privado. E o exemplo é o AngolaInvest, projecto que acabou sabotado por actos de corrupção e nepotismo”, denunciou. Francisco Viana entende que os bancos comerciais têm muito crédito malparado por terem apostado de forma errada na parceria com o Estado. Os juros, segundo o empresário, são outro problema. “Devia haver bonificação dos juros”, defendeu. O programa de avaliação da qualidade dos activos dos bancos comerciais foi elaborado em função do rácio de incumprimento ter subido, de 2016 a 2017, de 12,6% para 28%.

Qual será o próximo banco penalizado?

A directiva do BNA, que orienta os bancos comerciais a aumentarem o capital social veio expor a fragilidade dos mesmos. Perante o quadro, a interrogação é a seguinte: qual será o próximo banco a perder a licença? O certo é que o Banco Nacional de Angola (BNA) vai avaliar, no próximo mês de Abril, a qualidade dos activos de 12 maiores bancos comerciais, no quadro da estabilização do sistema financeiro angolano, anunciou o vice-governador do Banco Central, Manuel Tiago Dias. No universo de mais de 20 instituições, vão ser avaliados os activos dos bancos Angolano de Investimento (BAI), Fomento Angola (BFA), Comércio e Indústria (BCI), Poupança e Crédito (BPC), Internacional de Crédito (BIC), Millenium Atlântico (BMA), Sol, Negócios Internacional (BNI), de Desenvolvimento de Angola (BDA), de Comércio Angolano (BCA), Caixa Angola (CA), Económico (BE). Enquanto isso, foram já encerados os Bancos Mais, Postal e BANC, todos por falta de injecção de capital conforme orientação do banco central.

Desempregos

Com o encerramento de três bancos comerciais, centenas de pessoas, entre quadros qualificados e não qualificados foram para o desemprego, “engordando” ainda mais o número de cidadãos desempregados. No BANC mais de 200 pessoas ficaram sem emprego. Com os encerramentos dos Bancos Mais e Postal outras centenas de cidadãos perderam os seus empregos, aumentando o número de pessoas desempregadas.

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