RESEARCH Atlantico: Brexit continua a surpreender

As perspectivas sobre o crescimento da economia britânica continuam baixas. Segundo as estimativas da Bloomberg, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 1,3% em 2019, que representa o menor nível dos últimos 10 anos, altura em que o país registou uma contracção de 4,20%. A desaceleração da economia encontra-se em linha com as perspectivas feitas, resultantes das incertezas causadas com a desvinculação do país da união Europeia, com o país a registar uma taxa de crescimento abaixo dos 2%

POR: Atlantico

Contudo, e ao contrário das estimativas, a taxa de desemprego voltou a reduzir, ao atingir 3,9% em Janeiro de 2019, o mínimo de há 44 anos. Durante os últimos três meses foram criadas cerca de 220 mil novos postos de trabalhos, o melhor desempenho desde Novembro de 2015, um ano antes do referendo que deu indicações da vontade do povo de retirar-se do arranjo económico da União Europeia. Numa altura em que as incertezas sobre a efectivação da saída do Reino Unido, da União Europeia, continuam a condicionar os planos de investimentos das empresas, sendo que muitas delas preferiram deslocalizar as suas actividades principais – O processo é conhecido como Brexout -, o mercado de trabalho apresenta um desempenho surpreendente.

Os dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística – Offi cial For National Statistic em Inglês – aponta que a taxa de empregabilidade atingiu 76,1%, o maior nível desde 1971. Por conseguinte, aponta o ONS, que a taxa de inatividade na economia caiu para os 20,7%, com a força de trabalho a situar-se em 32,71 milhões de pessoas, enquanto os salários aumentaram numa dinâmica superior a variação dos níveis de preços, tendo no fi nal de 2018 se situado 1,8 p.p., acima dos níveis apurado no ano anterior. A divulgação, dos dados acima mencionados, surge numa altura em que a efectivação do Brexit poderá ser adiada, para depois de 29 de Março de 2019. Uma vez que a Câmara dos Comuns não caucionou, a 12 de Março de 2019, o Plano de Saída apresentado pela Ministra Th eresa May.

A segunda rejeição consecutiva. As divergências quanto à constituição de uma união aduaneira temporárias entre a Irlanda do Norte, país membro do Reino Unido, e a Irlanda, membro do Reino Unido, continua a pesar na decisão dos parlamentares britânicos. E os analistas sustentam que a olhar para a robustez dos números do mercado de trabalho, apenas um hard Brexit – Uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo – poderá pressionar, consideravelmente, o mercado de trabalho. Assim, May solicitou o adiamento da efectivação do Brexit para 30 de Junho. Contudo, o pedido de extensão parece não encontrar consensos nos dois lados, tanto de alguns membros da Câmara dos Comuns do Reino Unido, assim como de alguns membros dos restantes 27 Estados da União Europeia.

Para o primeiro grupo, as dúvidas sobre a potencial extensão prende-se com o facto de não se estar certo da razão da extensão. Quais concessões poderão ser feitas nesta altura, que sejam substantivas e que não poderiam ter sido feitas até a data de 29 de Março? É uma interrogação que encontra eco na decisão do presidente da Câmara dos Comuns, Jonh Bercow, que aconselhou a Primeira-ministra a não apresentar uma proposta que não tivesse alterações substancias, comparativamente, às duas propostas rejeitadas anteriormente. Pelo lado europeu, a aproximação das eleições pesaram nas contas de uma anuência ao adiamento, sendo que, as eleições estão aprazadas para 23 de Maio.

A prorrogação para depois desta data, impõe uma participação dos britânicos nas eleições, facto que não é bem visto pelo grupo dos 27 membros da União Europeia, nem da Primeira-ministra britânica. Contudo, o Conselho Europeu propôs a data de 22 de Maio, como sendo a ideal para uma possível extensão da efectivação do Brexit. As expectativas voltaram a estar concentradas na Câmara dos Comuns, que tem até esta semana para caucionar a proposta do Conselho Europeu – tanto da extensão da data de efectivação do Brexit, assim como da proposta de acordo rejeitada até ao momento. Caso a votação seja para um “Não”, o Brexit poderá ser antecipado para 12 de Abril, sendo que, nesta altura, a proposta de um segundo adiamento ainda poderá estar em cima da mesa. Entretanto, o cenário de uma saída sem acordo, não se encontra totalmente excluído.

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