Um silêncio muito fundo

Estranhamente, o Fundo Soberano de Angola, entidade envolvida na disputa judicial com a Quantum Global, mantém um silêncio que, mais do que prudente, é incompreensível.

O Fundo Soberano é a parte queixosa, é quem assinou contratos, é quem tem a papelada. Antes de o Estado accionar a PGR, uma mente sã parte do princípio de que os juristas e administradores do Fundo Soberano sabiam do que se queixavam e também das suas possibilidades de êxito.

Agora temos a PGR a desdobrar-se em explicações, criando pano para se questionar a possibilidade de sucesso noutros grandes processos entretanto anunciados, sobre contratos “rasgados”.

A questão é que o Estado angolano gastou mais de dez milhões de dólares para perceber que afi nal não tinha hipóteses de sucesso na maneira como estava a abordar a questão do Fundo Soberano. Felizmente, ao que diz a PGR, teve sucesso na via negocial. Mas quem negociou, pensa uma mente sã, foi o Fundo Soberano, e assim sendo, por que cargas de águas não é o Fundo Soberano a explicarse aos angolanos?

Depois das dúvidas, perguntas e especulações levantadas pelas solturas de José Filomeno dos Santos e de Jean- Claude Bastos, a explicação técnica jurídica da PGR impunha-se, mas sobre as negociações, os negócios da Quantum Global, etc., seria bom ouvir também o Fundo Soberano, até porque o que aconteceu não está muito longe do que sempre disse a Quantum nos seus comunicados. E sem contraditório…