A imagem

As mulheres, nossas mães e irmãs, tias e avós, mulheres e ex-mulheres, que nos desculpem, mas não há imagem mais ternurenta do que a de um bebé enrolado, em paz e a dormir aconchegado como se o mundo todo, a vida, se resumisse ao peito do seu pai. É sempre uma imagem bonita, enternecedora. Acabo de ver isso mesmo. Um bebé perdido no peito do seu pai, quase como uma tatuagem, a dormir tão anjinho que se alguém lhe dissesse que o mundo não é apenas isso ele duvidaria. Não é a primeira vez que vejo uma cena assim, claro, o amor está em todo o lado. Mas esta chama- me a atenção porque estou na Cidade do Cabo, na África do Sul, por se tratar de uma família mista (pai e filho têm ao lado a mãe e mais dois irmãos do bebé) ela com tez mais clara, e porque ainda ontem à noite (Quarta-feira) prestei atenção suficiente a um debate na televisão sobre as próximas eleições, de 8 de Maio próximo. E qual foi o tema dominante? O racismo. Exactamente. Assunto ainda muito presente na sociedade sul-africana. E como é que se explica isto do racismo e do ódio a um bebé como aquele? Como que se ensina a ter mais ou menos amor, mais ou menos respeito pelo peito do pai ninho e o da mãe amor e alimento, só por causa do tom da pele? Realmente, crescemos a desfocar a verdadeira imagem da vida.

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