Mais de 300 Trabalhadores cruzaram os braços no primeiro dia de greve na EPaL

Os grevistas alertam que serão garantidos apenas os serviços mínimos e a distribuição da água não será superior do que um período de cinco horas diariamente. Entretanto, o director do Gabinete Jurídico da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPaL), ivan Mateus, garantiu a oPaÍS que a aderência à paralisação foi inferior a 10 por cento

Cerca de 330 trabalhadores das diferentes áreas de serviço da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) aderiram, ontem, à greve deliberada pela comissão sindical filiada à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA). A mobilização, em frente às instalações da sede da referida instituição, em Talatona, teve início a partir das 6h00 da manhã sendo que ao longo do dia ganhou maior moldura humana com a chegada dos funcionários das diferentes agências espalhadas pela cidade. Uns de pé e outros sentados no passeio, sob o olhar atento dos efectivos da Polícia Nacional, com auxílio de um megafone, entoavam numa só voz as palavras de ordem na qual eram exigido o aumento salarial, pagamentos de subsídios e a reposição do seguro de saúde. “Queremos o nosso dinheiro, devolvam os cartões de saúde”, ouvia-se. Entretanto, ao aproximar da hora do almoço, isto é 12h00, a medida em que alguns funcionários (que não aderiram à paralisação) que se encontravam no interior da sede e saíam caminhando ao encontro das suas viaturas, no parque de estacionamento eram “vaiados” pelos grevistas.

Apenas cinco horas de distribuição de água por dia

Em depoimento a OPAÍS, o primeiro secretário da comissão Sindical da EPAL, filiada à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA), António Domingos, afirmou que a greve será por tempo indeterminado e durante este período serão apenas garantidos os serviços mínimos. Como medidas, foram reduzidas as equipas cujos funcionários trabalham em regime de turno, bem como as bombas que fazem a bombagem da água para a devida distribuição. “ Haverá apenas cinco horas por dia para a distribuição da água e não mais do que isso”, advertiu. Questionado sobre o número de trabalhadores que aderiram à greve, o responsável afirmou terem sido mais de 300 só em Talatona e aguardavam o relatório de outras localidades como Muxima e Catete. “Há trabalhadores que se fizeram presente mas não assinaram a lista de presença.

Outros há que estão solidários com a causa mas alegaram falta de dinheiro de táxi, salientou, tendo concluído que os trabalhadores estão unidos em prol da defesa da justiça social no que se refere à qualidade de vida dos trabalhadores. Quem também afirma estar empenhada nesta esta causa é dona Deolinda, funcionária administrativa da EPAL, na dependência do projecto Nova Vida, em Luanda. Segundo ela, a falta de promoções e baixa remuneração são as principais razões que levaram-na a não comparecer ao local de trabalho. Funcionária da empresa há 10 anos, lamenta o facto de o seu salário ser avaliado em 59 mil Kwanzas e não ter condições de se auto-sustentar com o mesmo por 30 dias. A entrevistada considera que os trabalhadores têm vivido dias difíceis após o conselho administrativo ter suspendido o seguro de saúde.

Recentemente, beneficiou de uma consulta numa das clínicas em Talatona, por intermédio da guia médica que recebeu da instituição. Entretanto, diz ter ficado surpreendida ao perceber que lhe foi descontado o referido valor da sua remuneração mensal. “Retiraram-nos os cartões de saúde mas é do nosso conhecimento que os funcionários do conselho de administração e os seus respectivos agregados gozam deste benefício”, lamentou. Por seu turno, Manuel Domingos, funcionário da EPAL há 11 anos, actualmente a colaborar na área de Comunicação e Marketing, lamenta o facto de existirem colegas seus que diariamente estão expostos ao sol e à chuva, no reparo de tubagens, com salário inferior a 60 mil Kwanzas, ao passo que determinados funcionários do conselho de administração auferem mensalmente mais de 2 milhões de Kwanzas. “ Estamos unidos e munidos pela defesa dos trabalhadores”, sublinhou.

Aderência inferior a 10 por cento

Contactado pelo jpornal OPAÍS, o director do Gabinete Jurídico da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), Ivan Mateus, garantiu que a paralisação dos trabalhadores que aderiram à greve não colocará em causa o normal fornecimento de água à população visto que representam menos de 10 por cento do total dos funcionários que a empresa tem. “Os sectores onde são produzidos a água estão em funcionamento”, sublinhou. A concluir, salientou que a empresa contínua disponível para negociar com o sindicato dos trabalhadores afectos à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA), pois também é seu interesse primar por melhor qualidade de vida dos seus funcionários.

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