Bispos Católicos apelam ao reforço dos valores da Paz e da Reconciliação Nacional

Na mensagem emitida pela Comissão Episcopal de Justiça, Paz e Migrações da CEAST, são ressaltados aspectos da vida social que se relacionam com a afirmação dos valores da Paz e Reconciliação. O documento foi tornado público ontem, durante uma missa presidida pelo secretário Nacional para a Justiça, Paz e Migrações da CEAST, Padre Celestino Epalanga, no Seminário Maior de Luanda

Sob o lema “Ao serviço da Justiça e da Paz Social, promovamos a Reconciliação Nacional”, celebrou-se pela 23ª vez o dia Nacional da Reconciliação Nacional. Na ocasião, os Bispos Católicos de Angola e de São Tomé apelaram ao caminho da reconciliação na linha do acesso igualitário à justiça e ao respeito dos direitos dos mais frágeis da sociedade. Na referida mensagem, os Bispos trouxeram as vítimas da violência de toda espécie a que se assiste na sociedade, bem como os famintos e os indigentes, esquecidos nas suas realidades sociais calamitosas, longe de todos os planos de assistência nas suas recônditas zonas.

O documento aponta para os casos das populações dos Gambos, do interior da Huila, do Cunene, do Namibe, do Cuando Cubango, do Huambo e de outras paragens, que actualmente enfrentam uma severa escassez de alimentos devido a estiagens prolongadas. “A realidade destas populações esquecidas e distantes de qualquer apoio social concreto fazem-nos pensar que o direito que assiste as pessoas à sua sobrevivência, parece estar esquecido”, refere o documento.

O descuido com as franjas mais esquecidas da sociedade

Os Bispos da CEAST, reunidos na sua última assembleia anual, tal como se lê no documento, denunciaram na sua nota pastoral o crescimento galopante do desemprego e da criminalidade no seio da juventude, que se sente desesperada e sem soluções imediatas à vista, defendendo por outro lado, que a moralização da sociedade, deve ser seguida de medidas claras e urgentes de fomento do emprego e de luta contra a pobreza. O documento avança, ser contraproducente a perseguição ao mercado informal sem oferecer medidas alternativas de sobrevivência, alegando que o financiamento do Estado por meio dos impostos, cada vez mais galopantes e agressivos, está a sufocar e a matar as pequenas e médias empresas, e a prejudicar demasiadamente as franjas mais desfavorecidas da sociedade.

Reforçar a justiça para refrear a cultura de violência

Os Bispos reforçaram no documento, que as Operações Resgate e Transparência vieram destapar um rol de acções violentas protagonizadas por agentes da Polícia e milicianos de algumas administrações territoriais. Considera que tais excessos nocivos à coabitação pacífica entre pessoas têm sido responsáveis por uma desigual coabitação e particularmente degradante para quem o exerce. Sublinha que tal violência assume carácter ainda mais repugnante quando praticada contra mulheres empenhadas na luta pela sobrevivência e na busca do sustento para os dependentes.

Apelam assim à Policia Nacional para uma particular atenção, alegando que “a arma foi colocada nas mãos do agente da ordem para manter a ordem pública e nunca para que sirva de um instrumento para espezinhar direitos, ou para atingir os indefesos e sobre eles estabelecer uma arrogante pressão e confiná-las a uma humilhante submissão. “Que as nossas autoridades exerçam sobre os nossos agentes da Polícia uma disciplina capaz de estripar este mal. Particular atenção se deve ter na formação destes agentes da ordem, alguns dos quais com sinais claros de má preparação ética”, apelaram. A Igreja Católica Angolana instituiu, com o fim de reforçar os valores da Paz, o Dia Nacional da Reconciliação, que se celebra no Quarto Domingo da Quaresma.

error: Content is protected !!