Embaixador moçambicano na África do Sul apela à não retaliação contra ataques xenófobos

O embaixador de Moçambique na África do Sul, Paulino Macaringue, apelou hoje aos moçambicanos para evitarem retaliar contra eventuais ataques xenófobos, assegurando que não há registo de cidadãos que tenham sido vítimas de ataques a estrangeiros.”Evitemos retaliar, vamos colaborar com as autoridades policiais na denúncia de qualquer ato que atente contra a integridade física dos nossos concidadãos”, afirmou Paulino Macaringue, em declarações ao diário moçambicano Notícias.
O diplomata exortou os moçambicanos residentes na África do Sul a evitarem focos de violência contra estrangeiros e confrontos.
Paulino Macaringue disse que não há casos de moçambicanos que tenham sido vítimas de ataques xenófobos que têm sido reportados nos últimos dias na África do Sul.
O Governo sul-africano relacionou na segunda-feira a violência contra cidadãos estrangeiros no país com o aproveitamento, por parte de “elementos criminosos”, das dificuldades económicas das pessoas e pediu aos líderes das igrejas e das comunidades que repudiem a xenofobia.
“Há elementos criminosos que se estão aproveitar das dificuldades económicas das pessoas, nomeadamente nas ‘townships’ [bairros para diferentes nacionalidades ou etnias durante o ‘apartheid’] e em zonas urbanas, e temos que lidar com essa situação”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO, sigla em inglês) da África do Sul, Ndivhuwo Mabaya, em declarações ao canal de televisão ENCA.
O chefe de Estado, Cyril Rampahosa, que é também presidente do ANC, no poder desde 1994, condenou os incidentes de violência e ataques xenófobos contra estrangeiros após uma visita que efetuou à província do KwaZulu-Natal, no âmbito da campanha eleitoral.
A polícia no KwaZulu-Natal confirmou à imprensa os incidentes de violência na semana passada, acrescentando que “começaram na noite de domingo [24 de março] com ataques a lojas de cidadãos estrangeiros”.
Registaram-se também incidentes na segunda e na terça-feira, adiantou a porta-voz da polícia, Thulani Zwane.
Na quinta-feira, sete camiões foram incendiados na autoestrada N3, entre a localidade de Estcourt e a portagem de Rio Mooi, na província do KwaZulu-Natal (KZN).
Camionistas moçambicanos têm dado também conta nas redes sociais de atos de intimidação e insegurança de que alegam ser alvo.
Além do KwaZulu-Natal, as autoridades registaram também incidentes de violência xenófoba na província do Limpopo, norte do país.

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