E nós outra vez às escuras

O titulo do texto de hoje não faz referência aos apagões da rede pública de electricidade, este é um mal com que muita gente nasceu e continua com ele. E vamos subindo mesmo assim, como diria o cantor Dog Murras. É um dado adquirido e chego a duvidar que o queiramos ultrapassar, vai fazer-nos muita falta. Aqui quero falar da Operação Moçambique, em que Angola mandou ajuda às vítimas do Idai, um ciclone altamente mortífero. Claro que apoio a posição angolana, claro que o gesto deve ser assinalado e nunca repetido, o que signifi – caria que nunca mais alguém passaria por tragédia semelhante. A escuridão a que me refi ro é a mediática. Angola tem mesmo de aprender a comunicar, tem de abandonar a ideia de que dois ou três iluminados sabem fazer tudo e depois deles nada mais há. Veja-se como Portugal está a comunicar em torno do Idai e das suas consequências. Há reportagens todos os dias, há histórias de gente de carne e osso contadas como se fosse assunto de vizinhos, doendo a quem lê ou ouve, abrindo a solidariedade, mas sobretudo valorizando a solidariedade portuguesa. Narra-se os actos “heróicos” dos portugueses que lá estão a ajudar. Não é preciso o “vou eu porque só eu sei narrar”, ou o “isso só se fosse eu a narrar”, portanto ninguém mais vai. Há um quase silêncio em torno da ajuda angolana, do sofrimento dos moçambicanos, do que lá fazem os angolanos. E tudo porque ainda não se considera importante apoiar a imprensa, porque se fazem (e muito mal) contas políticas em tudo o que é comunicação. Estamos às escuras sobre nós em Moçambique.

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