Governo disponibiliza USD 200 milhões para a seca do Cunene

Um pacote financeiro fixado em duzentos milhões de dólares acaba de ser aprovado pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, para solucionar problemas estruturantes ligados aos efeitos destrutivos da seca na província do Cunene

A informação, expressa em despacho que assinou, diz que o Titular do Poder Executivo ordena que os sectores correspondentes desencadeiem, de imediato, os procedimentos de contratação, por concurso público, dos serviços para a edificação de um conjunto de obras com aquele fim. O Presidente da República, João Lourenço, orientou que se construa um sistema de transferência de água do rio Cunene que partirá da localidade de Cafu e irá até Shana, nas áreas de Cuamato e Namacunde, destinando para a obra o valor em Kwanzas equivalente a oitenta milhões de dólares.

Entretanto, um segundo projecto será a construção de uma barragem na localidade de Calucuve e o seu canal adutor associado, num custo global de 60 milhões de dólares, no seu correspondente em moeda nacional. Entre os projectos estruturantes consta igualmente a construção de uma outra barragem e o respectivo canal adutor na localidade de Ndue, com um custo similar de 60 milhões de dólares no seu equivalente em Kwanzas. Além do concurso público, cujas inscrições começaram esta semana, para se encontrar empresas que possam edificar as obras anunciadas, o Presidente João Lourenço determina também no seu despacho que sejam contratados os necessários serviços de fiscalização.

Fome no Cunene: atinge mais de 1 milhão de pessoas

A situação cíclica atinge mais de 1 milhão de pessoas e só este ano já vitimou 12 mil efectivos de gado bovino na região Sul de Angola sobretudo no Curoca, Cunene As autoridades governamentais informam que estão a intervir junto das comunidades com carência de águas e alimentos, com cisternas de água, embora insuficientes. O governador Local, Virgílio Tyova, classificou a situação de calamidade natural, ameaçando a vida de mais de 800 famílias rurais. “Só em cabeças de gado, este ano já registamos 12 mil mortes” referiu o dirigente, tendo assinalado como mote do problema a excessiva dependência da população das chuvas para o cultivo e o abeberamento do gado, sua principal fonte de riqueza.

Oncócua, a região mais afectada

Em termos de divisão administrativa, o município do Curoca conta com duas comunas: a de Oncócua (sede municipal) e Chitado. Os habitantes desta última localidade não sentem tanto a falta de água como os que residem no município sede. A água e a energia eléctrica no Chitado é proveniente da Namíbia. O solo do Curoca é sedimentar e com muitas pedras à mistura, o que torna quase impraticável a agricultura em certas áreas. Quando se agudiza a estiagem nas referidas zonas, a situação torna-se não só preocupante para os habitantes, como para o gado. A administração municipal e o governo provincial efectuam o levantamento das zonas mais afectadas, com vista à distribuição de cestas básicas às famílias mais vulneráveis.

O Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher está, também, a fazer, desde Janeiro, o registo das populações vulneráveis do Curoca, para garantir uma melhor distribuição de bens alimentares e não alimentares. Com efeito, foi criada a “Loja Ibromel do Curoca”, que todos os meses distribui cestas básicas aos mais carenciados que já tenham feito o cadastramento. Entre os produtos, que têm sido distribuídos destacam-se o óleo vegetal, sal, feijão, açúcar e fuba “Mas esta ajuda não é para toda a vida”, garantiu o administrador municipal adjunto do Curoca.

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