População de Benguela corre risco de exposição a químicos nocivos

está a ser erguida uma fábrica de fertilizantes químicos numa zona urbana do município de Benguela. Esta situação gerou polémica a nível municipal e nas redes sociais, todavia, o que a maioria dos angolanos desconhece, é que, o impacto ambiental permanente e extremamente prejudicial para a saúde pública que se avizinha, afectará a todos que residem nessa província, segundo os opositores da fábrica

A nova luta dos benguelenses não é para ser levada de ânimo leve, pois que, agora, estão condenados a lutar pela saúde do ar que respiram, da água que bebem e dos hortícolas que ingerem. Tudo porque, entre a zona agrícola do Rio Cavaco e o Instituto Superior Jean-Piaget, com um bairro e três condomínios habitados pelo meio, avança a construção de uma fábrica de fertilizantes químicos, obra outrora embargada.

O embargo da obra, feito pela Administração Municipal de Benguela, ocorreu a 15 de Novembro de 2018, supostamente, segundo uma fonte, porque o terreno foi licenciado para erguer-se uma superfície comercial, transformando-se posteriormente.

Todavia, mudou-se a intenção, sem ter sido apresentado um estudo de impacto ambiental sobre as consequências para o meio, vida humana, flora e fauna e, face à inexistência desse documento exigido por Lei, houve embargo.

Mais tarde, foi com profundesa consternação que os populares que habitam na vizinhança notaram o crescimento galopante das obras de construção, que avançam de dia e de noite, conforme testemunhou o residente e médico João Caratão.

Juntando-se à lista de irregularidades, OPAÍS soube de uma fonte que, alegadamente, não há nenhum processo no Gabinete Provincial do Comércio e Indústria sobre a construção desta fábrica no município e província de Benguela.

Poluição iminente poderá provocar danos irreversíveis

Abordando os riscos aos quais os benguelenses estarão expostos, a nível provincial, se esta indústria continuar a crescer e começar a produzir fertilizantes químicos, o engenheiro ambiental Isaac Sassoma diz tratar-se de um “crime ambiental”. Não é ‘um problema apenas do município de Benguela’.

O ambientalista Sassoma alertou para a gravidade de essa fábrica estar numa zona urbana, pois afectará a todos, a nível local, provincial, nacional, regional e mundial. “Nos impactos, há sempre sequência”, afirmou o especialista em ambiente.

Por isso, aconselha a que se desengane quem pensa que a problemática prestes a ser criada e sentida pelas populações, irá afectar somente benguelenses. Fruto da actividade industrial no ramo dos fertilizantes químicos, o ambiente sai irremediavelmente prejudicado, a começar pela contaminação do ar, através dos gases expelidos, passando pela contaminação dos solos e canais de água, pelos resíduos.

Assim, não podem coexistir uma indústria fortemente poluidora e um bairro como é o da Graça, que se estima que albergue aproxima damente 30.000 pessoas, tendo nos arredores um instituto superior com mais de 5.000 alunos.

O especialista em matérias do ambiente realçou ainda sobre a contaminação dos solos que, à volta da fábrica há zonas agrícolas, logo, os alimentos que daí surgirem, tenderão a causar doenças a quem os ingerir.

E, o mestre em Ambiente João Buaio salientou que quando a fábrica inaugurar, “um conjunto de resíduos, resultantes da actividade dessa fábrica”, como “metais, tendem a ser emanados para atmosfera, elementos nocivos à saúde.”

Gerações vindouras poderão estar em perigo

O médico cardiologista, Benedito Quinta, residente num dos condomínios nos arredores da futura fábrica de fertilizantes químicos, fez saber que foi “de forma muito insatisfatória” que tomou conhecimento deste desastre iminente.

Para si, a preocupação não parte apenas dos danos que poderá sofrer agora o bairro da Graça que o acolhe, mas também, lamenta pelas gerações vindouras, que terão uma Benguela poluída e deserta, para viver.

E o benguelense João Caratão, também habitante nas imediações da futura indústria poluente, declarou que, pelo que se viveu em cidades do mundo com essas fábricas, Benguela sujeita-se a perder turistas e afugentar as populações.

Assim, magoada com este “atentado”, conforme lhe chamou, está igualmente a escritora Paula Russa, que apela aos dirigentes que consultem o povo, tomando decisões em prol dele e, ao povo, que lute até ao fim. Pois, a benguelense não vê vantagens na localização dessa indústria em zona urbana, a não ser para quem é proprietário, que não vivendo cá, receberá apenas os lucros, deixando para a população doenças e poluição.

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