Chivukuvuku anuncia apoiar candidaturas nas eleições autárquicas de 2020

Sem mágoa com o passado, após o seu afastamento compulsivo da liderança da CASA-CE, em Fevereiro, Abel Chivukuvuku disse, em entrevista à TV Zimbo, do Grupo Media Nova, que vai apoiar candidatos que forem para as eleições autárquicas nas diversas circunscrições, sejam eles do seu futuro projecto político ou cidadãos independentes

Doutor Abel Chivukuvuku, como é que pretende ser cabeça de lista em 2022?

Em primeiro lugar, quero agradecer o convite que me foi formulado, mais uma vez, pela TV ZIMBO. Por outro lado, saudar todos os angolanos, e sobretudo felicitá-los por ocasião da comemoração do Dia da Paz. Também, felizmente, o Dia da Paz coincide com o período da Santa Páscoa. Desejo boa Páscoa a todos, paz, serenidade, tranquilidade e sobretudo muita fé.

Mas como pretende ser cabeça de lista em 2022?

Eu penso que o mais importante não é perdermos o tempo com o passado, porque o passado foi uma etapa de vida. Neste momento temos que fazer a viragem e olhar para frente, abrir uma nova página. O problema principal é servirmos o nosso país, servirmos os cidadãos, e a minha disponibilidade vai no sentido de que enquanto em Angola houver cidadãos pobres, eu estou pronto e estou disponível para servir. Enquanto em Angola houver fome eu estou pronto para servir. Enquanto em Angola tivermos crianças fora do sistema de ensino sem oportunidades para vida, eu estou pronto para servir de porta-voz destas crianças. Enquanto tivermos a juventude com dificuldades de ir para as escolas mesmo quando conseguem e depois não têm emprego, eu estou aqui para ser advogado da juventude e sobretudo promotor dos seus interesses. Eu não me considero político, mas servidor. Neste momento quero deixar claro ao país e a todos cidadãos, aos independentes, aos cidadãos de boa fé e aqueles que pensam Angola e querem o bem de Angola, que estou pronto. Embora neste momento estamos numa fase de análise do contexto que vivemos, de reflexão, de preparação, de organização, de identificação de todos aqueles, sejam os independentes que foram da CASA- CE, sejam outros cidadãos, que estamos preparados para protagonizarmos um novo recomeço, criar uma nova iniciativa que permita os angolanos de boa fé e de vontade contribuírem positivamente para o futuro do nosso país. É nestes termos que vamos protagonizar nova caminhada, novo começo por Angola e em 2022 estaremos no jogo político. Mesmo em 2020 nas eleições autárquicas também estaremos.

Como é que vai estar em 2022?

É isto que estou a explicar a todos os angolanos de boa fé. Vamos para um novo recomeço, precisamos de estruturar uma nova iniciativa, um novo projecto para o futuro deste novo país. Nesta fase estamos em reflexão com serenidade, avaliação, identificação de valores humanos que queiram participar nesta nova iniciativa. A estruturação e organização vai ser muito mais fácil desta vez.

Mas afinal o que se passou? houve quebra de confiança?

Não posso ser eu a explicar estas coisas porque não fui eu que disse. Por outro lado, o passado já não tem mais valor nenhum. Na minha filosofia de vida, o passado por tudo que teve de bom e de mau ninguém consegue mais mudar, porque já passou. Pensemos sempre no futuro de qualquer das formas, porque os cidadãos e Angola sabem quem protagonizou a criação da CASA-CE. Isto não é preciso explicar, todos cidadãos sabem. Os cidadãos sabem quem acolheu todas as sensibilidades para fazermos a organização que fizemos.

Miau disse que foi ele quem fundou a coligação…

O povo sabe e não vale a pena reclamar. Há um ditado que diz que na hora de trabalhar provavelmente nem todos estão, mas quando o fruto está maduro todo mundo quer vir colher. Não tem importância nenhuma as pessoas reclamarem. Para mim, o mais importante, os cidadãos angolanos acompanharam e viram como fizemos crescer a organização. As pessoas acompanharam os “quinze / quinze”, ou seja, eu passava quinze dias por mês em províncias, a andar de município a município, no quadro do programa “ver, ouvir e partilhar”. Por isso, não preciso de explicar isto, os cidadãos viram. Os cidadãos viveram os “sete / sete” cá em Luanda. Todos os Sábados nos bairros, não vale a pena voltarmos para isto porque não tem sentido querer explicar o que é verdade. O mais importante é pensarmos no futuro.

Por que recorreu ao Tribunal Constitucional da decisão dos cinco partidos?

Eu não recorri, nem quero saber. Agora, quem precisa de legitimação é quem precisa de títulos. Eu, na minha vida, o meu mestre me ensinou que não têm muito valor os títulos presidente disto, secretário daquilo, general ou ministro. Isto é efémero e temporário, o que importa são as convicções e as capacidades individuais e isto ninguém consegue tirar da cabeça de ninguém. Agora, cada um prove como actor. Não vale a pena nós querermos avaliar, o cidadão consegue avaliar, o cidadão vive, acompanha. Sejam os cidadãos a avaliar a prestação, o comprometimento, o nível de entrega de cada actor político na vida política nacional.

Já se compreende que vai criar um partido político para poder ser cabeça de lista em 2022. Por que razão é que antes não o criou para testar a sua popularidade e de alguma maneira a sua estatura política?

Em cada momento é preciso avaliar o contexto, as circunstancias, a oportunidade para a concretização do propósito. O mais importante é o propósito. Em 2012 achávamos que aquele modelo era o que mais se ajustava ao contexto e ao momento. Neste momento também entendemos que devemos passar por um período de reflexão, de avaliação, de estudo, de identificação de todos aqueles cidadãos que querem entrar nesta nova caravana, nesta nova caminhada. E eu estou muito feliz porque sinto que neste momento tecnicamente a máquina já existe por todo o país, e o mais importante é consolidar as convicções e, sobretudo, garantir que o propósito é servir Angola, o propósito é ajudarmos este nosso país a sair do marasmo que se encontra, para que haja uma vida de maior distensão, maior felicidade de todos angolanos.

Que leitura é que faz do papel, das responsabilidades e atribuições do Tribunal Constitucional?

Eu penso que as instituições públicas da nossa República durante um tempo viveram um contexto de excessiva partidarização, e se formos ver o contexto em que está envolvido o nosso próprio projecto político nacional, temos ainda um Estado excessivamente centralizado, um Estado com poderes excessivamente concentrados, um Estado com fraca separação de poderes entre as várias dimensões, entre o Executivo, o Legislativo e o Judicial. Um Estado em que a partidarização é excessiva e sobretudo a presença da política partidária na vida das pessoas. É tempo de começarmos a distender, libertar o cidadão, mas, sobretudo cada instituição cumpra o seu papel constitucional, as leis ordinárias estabelecem os parâmetros de acção de cada órgão. O importante é que em cada momento haja coerência, só assim é que as instituições estarão a ser vir o propósito pelas quais foram criadas, só assim estaremos todos a contribuir para que se efective em Angola um Estado democrático e de direito.

Volto a perguntar. Quais são as razões que levaram à sua destituição?

Não posso ser eu a falar sobre isto, mas basta ver que nós criamos a CASA-CE, cresceu e o povo sabe como é que isto aconteceu, quem fez crescer, portanto, isto é claro, e não há dúvidas sobre isto. E já expliquei a analogia da lavra e volto a explicar a analogia de uma outra parábola comum nas nossas lides. “O individuo que vai ao rio normalmente depois de estar no rio afoga-se. Quando está a afogar-se tenta ver como é que se safa, atira as mãos e agarram-lhe e levanta. Este individuo que é desafogado do rio depois de chegar à margem todo tranquilo vira-se contra quem lhe tirou do rio onde estava para se afogar”. Por isso, isto não tem mais valor absolutamente nenhum, pensemos o país, pensemos o futuro, pensemos nos angolanos, pensemos Angola. Para mim, é uma etapa do passado.

Os angolanos terão a oportunidade de fazer a sua avaliação em 2020, porque vai haver eleições autárquicas, e os angolanos também terão a oportunidade de fazer as avaliações e os julgamentos em 2022, deixemos o tempo provar. Em 2020, quando realizarmos as autarquias também vamos participar, pode-se participar como cidadão, e eu estive a fazer a leitura dos projectos de lei que estão neste momento na Assembleia Nacional. Elas permitem aos cidadãos participarem organizados em partidos políticos ou organizados como cidadãos. Portanto, não tem grande diferença. De qualquer das formas, quero deixar claro que, havendo já um instrumento político ou não, em 2020 vou apoiar candidatos que forem para as eleições autárquicas nas diversas circunscrições, sejam eles do quadro que nos estruturarmos com todos cidadãos, ou sejam eles cidadãos independentes. O mais importante é participarmos na vida política nacional como cidadãos conscientes, como cidadãos comprometidos e ajudarmos este nosso país a evoluir, este é que é a chave do futuro.

Em função da construção deste pilar que estamos a erguer com base em valores republicanos e universalmente aceites, pergunto-lhe: Há espaço hoje em Angola para que coligações de partidos como esta que o senhor fundou possam fazer política e Oposição a um partido com a força como a do MPLA?

O espaço conquista-se, o espaço não se atribui.

Perdeu este espaço?

Perdi este espaço teoricamente, mas este espaço vai ser provado que é um espaço disponível para aqueles que estão comprometidos com o país, para aqueles que acreditam ditam em Angola. Não é um sofisma. Eu não tenho dúvidas nenhuma de que vamos continuar a contribuir para este país.

Faltou ética na CASA-CE?

Para mim o passado é passado… não tem valor absolutamente, pois já acabou, agora é olhar para frente, não vamos vasculhar se ouve este problema ou aquele. Os que querem falar sobre isto que falem. Eu não. Os angolanos sabem que a minha preocupação não é parlamento, não é lugares, a minha preocupação é Angola e os angolanos.

O senhor não vai voltar ao parlamento?

Não vou voltar.

Porquê?

A minha convicção é de que fui eleito em 2012 e não assumi o lugar de deputado, fui eleito em 2017 também não assumi. Entendo que o meu papel deve ser junto dos angolanos, junto dos cidadãos perceber as ansiedades, perceber as esperanças, perceber as expectativas, transmitir confiança, transmitir a minha solidariedade e, sobretudo, ter o espaço para o meu empenho quotidiano junto dos angolanos.

Sentir-se-ia fragilizado dentro do parlamento na sua bancada?

Não seria fragilidade. É uma questão de convicção, porque mesmo quando eu era presidente em 2012, não entrei. Parlamento este que todos já sabemos, que não tem o papel de um normal parlamento, não fiscaliza, está praticamente condicionado ao voto maioritário, não tem importância. Para mim, faz mais sentido conviver com o cidadão, andar nos bairros, estar lá onde há dificuldades, estar lá onde há problemas, conhecer as coisas, Não é ficar aqui nos gabinetes e tentar fazer política a partir deles.

O que tem feito desde o passado dia 26 de Fevereiro, quando foi afastado da CASA-CE?

Como eu lhe disse, estamos a pensar o futuro com serenidade, estruturação e organização. Quando anunciamos a organização em 2012 tudo já estava feito em todas as províncias. Aconteceu com serenidade e silêncio. Muitas vezes as pessoas têm de ter em consideração o ditado popular segundo o qual “se você estiver a passar em frente de uma casa e ouvires muito silencio não te enganes a pensar que podes entrar e encontrar lá a esposa do outro, ele esta lá dentro”. O mais importante é fazermos o trabalho com a convicção de que tudo o que fazemos é por Angola e para os angolanos, nada mais do que isto.

Senhor Abel usava uma parábola, agora lhe pergunto: o gato estava no telhado, agora está dentro de casa?

Não é importante também isto. O mais importante é que o dono da casa está lá. O conceito é a natureza do projecto, a mensagem que se transmitiu ao cidadão, que encarnou a mensagem. É a mesma mensagem que vamos trazer, é a mesma fé. Fé nas pessoas, convicção nas pessoas. No fundo, o que nós queremos para o país é uma Angola onde os angolanos possam ter uma vida aceitável. Será que isto que nós temos é o que nós queremos para toda a vida? para todo o tempo? estamos felizes? Porquê é que nós vamos aceitar esta mediocridade, esta pobreza? Ande só ali nos bairros, vai ver a falta de saneamento básico, de hospitais, de escolas… Sobre estes problemas todos, há um ditado também que diz: “Longe da vista, longe do coração”. Estes que ficam aqui em Luanda não têm sensibilidade porque estão longe da vista. O que você não vê não te faz sentir, nós não. Nós andamos no terreno, conversamos com as pessoas, ouvimos, falamos e temos sensibilidade porque vivemos aquilo que as pessoas comuns vivem.

O senhor tem algum acordo com Justino Pinto de Andrade?

Eu, por norma, não faço pactos nem acordos, eu sou pessoa de convicções e posso dar-me com aqueles com os quais partilhamos as mesmas convicções, partilhamos os mesmos propósitos, partilhamos a mesma vontade de servir os angolanos. Se coincide com este ou com aquele, é normal, mas é uma questão de convicções, é uma questão de projecto, é uma questão de determinação e, sobretudo, a natureza da motivação, o que conta muito é a natureza da motivação.

Como é que viu a posição do Bloco Democrático?

Isto tem que perguntar ao Bloco Democrático, eu não sou porta-voz do Bloco, apenas reconheço que a nível de convicções partilhamos ideias, partilhamos a vontade de sermos úteis a este país independentemente das posições em que as pessoas estejam.

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