Forças governamentais líbias contiveram ofensiva do comandante Haftar

Exército Nacional da Líbia, comandado pelo marechal Khalifa Haftar, assegurou que os seus militares tinham assumido o controlo de várias áreas no Sudoeste da capital do país

As forças que apoiam o Governo de União Nacional em Trípoli conseguiram impedir o avanço das tropas comandadas pelo marechal Khalifa Haftar, segundo afirmou à Sputnik uma fonte próxima ao primeiro-ministro Faez Sarraj. De acordo com a fonte, os combatentes de Haftar avançaram a Oeste, em particular, ocuparam a cidade de Garyan e consolidaram- se na área do posto de controlo, a 27 quilómetros da capital do país, Trípoli. “No entanto, hoje de madrugada (Sexta-feira), as forças de Trípoli e de Az-Zawiya se juntaram e os cercaram [combatentes de Haftar].” Além do mais, a fonte conhecedora da situação destacou que 150 militares foram capturados e 60 carros das tropas de Haftar foram apreendidos.

Na Quinta a situação era difusa

Exército Nacional da Líbia controlava alguns bairros perto da capital do país “A situação na estrada que corre ao longo da costa é estável, [a estrada] está aberta”, assegurou, acrescentando que o chefe do governo em Trípoli visitou recentemente a área. Nas palavras do interlocutor da agência, a situação na capital da Líbia era calma. Anteriormente, na Quinta-feira, uma fonte do Exército Nacional da Líbia, comandado pelo marechal Khalifa Haftar, assegurou que os seus militares tinham assumido o controlo de várias áreas no Sudoeste da capital do país. Previamente, a agência Al Arabyia informou que o comandante líbio ordenou a ofensiva na cidade de Trípoli para “libertá-la dos terroristas”.

O Exército Nacional da Líbia, comandado pelo marechal Khalifa Haftar, assumiu o controlo de várias áreas no Sudoeste da capital do país, comunicou à Sputnik uma fonte da entidade militar. Anteriormente, a agência Al Arabyia informou que o comandante líbio ordenou uma ofensiva na cidade de Trípoli para “libertá- la dos terroristas”. “Por enquanto as ruas da cidade estão vazias, parece que quase todos os moradores optaram por deixar a cidade. Vários distritos já estão ocupados por combatentes do Exército Nacional da Líbia, por exemplo [as áreas de] Janzour e Al-Sawani, a Sudoeste de Trípoli”, informou a fonte.

Além disso, ele acrescentou que “até ao momento não houve confrontos, excepto de alguns pequenos ataques de grupos armados [das unidades do Exército de Haftar] a caminho de Trípoli”. A ofensiva de Haftar faz referência ao Governo do Acordo Nacional, liderado por Fayez al-Sarraj e formado com o apoio da ONU e da União Europeia. A Líbia está a ser dilacerada por conflitos internos desde a morte do líder Muammar Khaddafi em 2011. A parte Leste do país é governada pelo parlamento, apoiado pelo Exército Nacional da Líbia e localizado em Tobruk. O Governo do Acordo Nacional, apoiado pela ONU e liderado pelo primeiro-ministro Fayez Sarraj, opera no Oeste do país e está sediado em Trípoli.

Guterres com esperança de que “ainda seja possível evitar confronto sangrento” na Líbia

Secretário-geral visitou o país para evitar confrontos militares; depois de encontros com vários representantes, chefe da ONU afirmou que saía do país “com uma preocupação profunda e um coração pesado.” O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esta Sexta-feira que “sai da Líbia com uma preocupação profunda e um coração pesado”. O chefe da ONU esteve esta Sexta-feira na segunda cidade da Líbia, Bengazi, para ajudar a evitar confrontos militares entre forças leais ao Governo, reconhecido pela comunidade internacional, e as forças leais ao general Khalifa Haftar.

Escalada

Em Bengazi, Guterres teve um encontro com o general Haftar, que lidera o Exército Nacional da Líbia, e controla grande parte do Leste do país através de uma administração paralela. De acordo com agências de notícias, as forças do general estão a avançar para o Sul e para o Oeste há várias semanas, e na Quinta-feira estavam a cerca de 80 quilómetros a Sul da capital, Tripoli. No final do encontro com o general, antes de partir para a Jordânia, Guterres afirmou que “as Nações Unidas continuam disponíveis para facilitar qualquer solução política capaz de unificar as instituições líbias”. O secretário-geral disse ainda que “aconteça o que acontecer, a ONU continua comprometida, e continuará comprometida, a apoiar o povo líbio”. Guterres concluiu a mensagem dizendo que “os líbios merecem paz, segurança, prosperidade e respeito pelos seus direitos humanos”. Na Sexta-feira à tarde, o Conselho de Segurança deve ser informado, a portas fechadas, sobre a situação no país pelo chefe da Missão da ONU na Líbia, Unsmil. Ghassan Salamé também é representante especial do secretário-geral para o país.

Autoridades

Assim que chegou à Libia, em mensagem publicada no Twitter, Guterres disse que “não há solução militar para a crise na Líbia, apenas uma solução política”. Ao desembarcar no país, na Quarta-feira, o chefe da ONU expressou o seu total empenho “em apoiar um processo político liderado pela Líbia que conduza à paz, à estabilidade, à democracia e à prosperidade para o povo”. O chefe da ONU reuniu-se depois com o primeiro- ministro Fayez Sarraj, o chefe do Alto Conselho de Estado, Khaled Meshri, e representantes da sociedade civil. Falando aos jornalistas no final do encontro, Guterres disse que “é essencial uma solução política para a Líbia, e da Líbia, para resolver anos de instabilidade e insegurança.”

Conferência

A ONU apoia a realização de uma Conferência Nacional que deve acontecer ainda em 2019. A organização espera que o encontro possa terminar com os anos de turbulência que se seguiram ao afastamento e morte do antigo governante Muammar Kaddafi, em 2011. O secretário-geral afirmou que os líbios “sofreram demais e merecem viver em um país normal, com instituições políticas normais, e com paz, segurança e prosperidade”. Guterres afirmou ainda que “a ONU não tem agenda nem interesses em relação à Líbia”. A organização apenas pretende “o bem-estar do povo líbio, a paz no país e a possibilidade de viver em uma democracia normal e aproveitar a enorme riqueza do país para beneficiar seus cidadãos”. O chefe das Nações Unidas acrescentou que “não é por intervenção estrangeira que se resolvem os problemas de qualquer país, e é importante que esse princípio também se aplique à Líbia”.

Centro de detenção

Na Quinta-feira, Guterres também visitou o Centro de Detenção em Trípoli. No final da visita, disse que estava “profundamente chocado e comovido com o sofrimento e o desespero” que viu no local, “onde os migrantes e refugiados estão detidos por tempo ilimitado e sem qualquer esperança de recuperar as suas vidas”. O secretário-geral acrescentou que esta situação “não é, obviamente, apenas uma responsabilidade pela Líbia, é uma responsabilidade de toda a comunidade internacional”.

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