RESEARCH Atlantico: cenário macro-económico

A última reunião do comité de Política Monetária, realizada no dia 29 de Março, culminou com a decisão de manutenção das taxas de juro de referência. A Taxa BNA manteve-se em 15,75%, a taxa de juro da facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0% e os coeficientes de Reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira em 17% e 15%, respectivamente

O desempenho da inflação contribuiu para a trajectória da política monetária, considerando- se que o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) situou-se em 237,11 pontos durante o mês Fevereiro, cuja comparação homóloga demonstra uma variação de 17,96%, que corresponde à desaceleração de 26 p.b. face ao mês de Janeiro. Por outro lado, a oferta de moeda nacional, avaliada pelo agregado monetário M2, apresentou um crescimento mensal ligeiro, cerca de 1,70%, ao situar-se em 4.495,46 mil milhões Kz, em Fevereiro. A tendência de queda correspondeu também ao Índice de Preços Grossista (IPG), que durante o mês de Fevereiro apresentou uma variação de 1,32%, que representa uma desaceleração de 0,03 p.p. em relação ao mês anterior, o que poderá influenciar o custo de produção nacional e o poder de compra dos consumidores.

Apesar dos produtos nacionais terem registado o maior incremento, cerca de 1,42%, contra os 1,29% dos produtos importados, foi esta última categoria que maior contribuição apresentou para o desempenho do IPG, 77%. Adicionalmente, faz-se referência à contribuição positiva do mercado cambial para o controlo da inflação, tendo o montante disponibilizado pelo BNA atingido cerca de 800,64 milhões USD, no segundo mês do ano corrente, que corresponde a um incremento de 29% em comparação ao mês de Janeiro.

As vendas foram realizadas por via de leilões de preço (venda de divisas) e de quantidades (plafonds para cartas de crédito), através de sessões diárias, para a cobertura de todas a finalidades, incluindo liquidação de cartas de crédito, atendimento às casas de câmbio e operadoras de remessas. Destaca-se, que inicialmente o BNA previa a venda de moeda estrangeira no montante equivalente a 700 milhões USD, o que foi superado. Na perspectiva das arrecadações de receitas pelo Estado destaca-se a pressão que a diminuição da produção petrolífera tem exercido sobre as receitas fiscais petrolíferas, com impactos sobre a relação comercial com os EUA, que variou de uma posição superavitária para uma deficitária na análise de Janeiro de 2018 e 2019, respectivamente.

Em relação à produção petrolífera percebe-se uma trajectória decrescente, tendo-se em consideração que em Fevereiro de 2019 a produção fixou-se em 1,457 milhões barris/dia, de acordo com dados das fontes secundárias consultadas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), abaixo do limite estabelecido pelo cartel, de 1,481 milhões barris/dia. Na rubrica das despesas destaca- se que as yields dos Eurobonds mantêm a correlação inversa com a trajectória da cotação internacional do crude, consequentemente durante o mês de Março o rendimento exigido pelos investidores para a aquisição de títulos da dívida pública emitidos por Angola no exterior diminuiu em comparação ao mês anterior, no intervalo de 2,7 p.p. a 11,4 p.p., para 6,855% e 8,583%, para os títulos com maturidade em 2025 e 2048, respectivamente. As condições ainda desafiantes contribuíram para a revisão das projecções macroeconómicas, com particular destaque para a taxa de crescimento, inicialmente estimada para 2,8%, agora projectada para 0,4%, segundo o documento da Estratégia de Endividamento de Médio Prazo (2019- 2021), divulgado pelo Ministério das Finanças.

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