Celeste de Brito diz que vai continuar a atrair investidores ao país

A equipa de juízes da Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo, encabeçada por Domingos Mesquita, vai anunciar hoje a data para o anúncio da sentença a ser aplicada aos dez arguidos na Burla à Tailandesa e das respostas aos quesitos que serão aprovados esta manhã

A pastora e empresária Celeste de Brito diz que vai continuar a trabalhar no sentido de atrair investidores estrangeiros ao país, no sentido de contribuir para a melhoria das condições sociais das populações mais carenciadas. A cidadã nacional, que está entre os dez arguidos no mediático Caso Burla à Tailandesa, fez essa revelação na Segunda-feira, ao ser questionada pelo juiz da causa, Domingos Mesquita, se tinha alguma coisa a dizer em sua defesa, após as alegações finais.

A pastora da Igreja Ministério Aleluia da Angola declarou que ainda que venha a ser condenada pelos crimes de que é acusada e diz não ter cometido, assim que sair em liberdade vai continuar a trabalhar no mesmo sentido, para que não haja mais vendedeiras ambulantes a saírem de casa com o propósito de garantir alimentação da sua família sem saber se vão regressar para junto dos seus.

A forma como ela se dirigia aos presentes demonstrava que estava convicta de que despertar o interesse de os empresários estrangeiros investirem no país é uma “das suas missões na terra”. Declarou que, caso seja condenada pelos crimes de “associação criminosa”, “falsificação de documentos”, “tráfico de influência”, entre outros, sairá da cadeia mais motivada para cumprir esse seu propósito. Por outro lado, a segurança com que teceu e proferiu tais palavras desapareceu ao falar dos filhos. Celeste de Brito, aparentemente mãe zelosa, emocionou- se ao recordar o tempo que tem passado privada do convívio dos seus filhos, já lá vão mais de um ano e dois meses. Ao falar dos dois filhos menores de idade, autistas, não conseguiu travar as lágrimas.

Pediu perdão ao país, à sua família, em particular aos seus filhos, que alegadamente estão a passar por uma das maiores provações das suas vidas até ao momento, desde que ela foi presa e constituída arguida. De realçar que, aquando do seu interrogatório, Celeste de Brito apresentou-se como uma consultora internacional, com estatuto de KYC (sigla em inglês que em português significa “Conhecer o seu cliente”), enquadrada em quatro das sete plataformas de projectos de auto-sustentabilidade. Está reconhecida pela Organização das Nações Unidas, com uma declaração que lhe possibilita celebrar contratos de até 119 mil milhões de dólares com possibilidade de crescimento. Declarou que a sua condição de KYC obriga-a cumprir escrupulosamente determinadas regras, como a de combate ao enriquecimento ilícito, à corrupção e ao branqueamento de capitais.

Advogado “desmonta” fundamentos do MP

Em resposta ao pedido do representante do Ministério Público (MP), Adão Pedro, para a sua condenação nos crimes acima mencionados, o advogado Carlos Salumbongo, seu defensor, refutou, alegando que não ficou provado que a sua constituinte cometeu qualquer um dos crimes de que vem acusada e pronunciada. Declarou que todas as acções desenvolvidas por Celeste de Brito foram com o conhecimento da extinta Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), órgão afecto ao Presidente da República e em cumprimento da lei. “Pedimos a absolvição da ré Celeste de Brito porque a sua conduta não constituiu crime de tentativa de burla ao Estado angolano”, frisou, referindo-se à acusação de que ela e os tailandeses afectos à empresa Centennial Energy (Thailand), Company, tentaram “fraudar” 50 mil milhões de dólares.

Em relação ao crime de falsificação de documentos, relacionado com a suposta carta forjada do vice-presidente da República, Bornito de Sousa, na qual convida os empresários expatriados a investirem no país, Carlos Salumbongo também reafirmou que não faz qualquer sentido tal acusação. No seu ponto de vista, não ficou provado em tribunal ser ela a autora da aludida carta. Fundamentou que a sua constituinte não foi submetida a um exame de caligrafia pelos peritos do Laboratório Central de Criminalística para se aferir se a sua caligrafia é semelhante à que consta na referida carta. Lamentou o facto de os órgãos de investigação criminal se terem limitado a fazer este exame apenas ao vice-presidente da República.

Para agravar ainda mais a situação, no seu ponto de vista, o exame pericial não conseguiu provar que a aludida carta forjada saiu do seu e-mail pessoal ou de qualquer outro dispositivo electrónico em sua posse até à data da sua detenção. “A verdade é que a ré nunca manteve contacto com a carta. Apercebeu- se da sua existência quando foi chamada ao Serviço de Investigação Criminal (SIC)”, frisou. Carlos Salumbongo pôs ainda em causa as declarações da antiga chefe do departamento jurídico da UTIP, Sílvia Fernandes, que afirmou em tribunal ter visto a carta com a presumível assinatura forjada de Bornito de Sousa entre os diversos documentos que Celeste de Brito apresentou no primeiro dia que foi à UTIP dar a conhecer a vinda da delegação tailandesa. Alegou, entre outros aspectos, que a testemunha não conseguiu diferenciar se o que estava na carta que diz ter visto era uma rubrica ou assinatura. “Celeste de Brito foi vítima de uma cabala bem montada para ser afastada do projecto de investimento bilionário”, declarou. Para finalizar, declarou que durante os 15 dias que a sua constituinte ficou com os tailandeses não usou qualquer influência junto das autoridades angolanas para obter vantagens para si, assim como para qualquer outra pessoa.

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