Energia eléctrica e água são principais constrangimentos do sector industrial em Angola

A revelação é da ministra da Indústria, Bernarda Martins, para quem a debilidade de fornecimento de energia eléctrica, água e saneamento básico constituem factores que inviabilizam a sustentabilidade da indústria nacional.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

De acordo com a titular da pasta da indústria, a falta de infra-estruturas constitui um dos principais constrangimentos que o seu departamento ministerial enfrenta, facto que condiciona, de certa medida, a atracção do investimento privado. Falando à imprensa à margem do 1º Conselho Consultivo do sector que dirige, a ministra da Indústria, Bernarda Martins, refere que, face às dificuldades, o Executivo está a ensaiar uma série de medidas visando a inversão do actual quadro, de maneira a pôr a indústria a funcionar.

“E que seja competitiva. Estamos a falar dos esforços que já foram feitos para a protecção aduaneira”, explica. O impacto da adopção de uma política de protecção aduaneira no aumento da produção industrial e da receita fiscal, contribuição dos mecanismos de financiamento bancários no processo de diversificação e o desenvolvimento da actividade transformadora, bem como o papel da energia no aumento da produtividade da indústria, figuram entre várias questões que dominam o Conselho Consultivo do Ministério da Indústria em Benguela. Bernarda Martins sustenta que os temas foram seleccionados a pensar numa indústria que se quer cada vez mais sólida.

“Queremos sentir qual é o impacto que da pauta aduaneira vai para a indústria”, diz, revelando que o sector que dirige foi dos que mais sentiu os efeitos da crise económica, todavia, segundo sustentou, de um tempo a esta parte, vai-se registando aquilo a que dá o nome de evolução, porquanto empresas que antes tinham fechado as portas estão a recuperar. “Em 2014/2015 e até mesmo 2016, as divisas eram muito escassas. Hoje, com a retoma das divisas, empresas que tinham feito despedimento de pessoal começam a readmitir, porque já conseguem importar”, disse à imprensa.

Celulose à espera de uma floresta

Questionada pelo O PAÍS sobre o processo de recuperação da antiga empresa de produção de papel, a conhecida celulose do Alto Catumbela, município da Ganda, a ministra refere não descarta a possibilidade de recuperação, mas adianta que a mesma está condicionada pela falta de produção da matéria-prima. Enquanto não houver estas condições, não se pode pensar na celulose. “Diga-se, no entanto, que estamos a trabalhar de forma coordenada. Há uma empresa interessada, para reflorestar e, mais tarde, montarmos a indústria de celulose”, rematou.

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