Plano prevê a redução de 26 para 14 % da transmissão do VIH de mãe para filho

A campanha “Nascer Livre para Brilhar” pretende reduzir a taxa de transmissão do VIH de mãe para filho de 26 por cento para 14 por cento, até 2021. Igualmente prevê aumentar a utilização de preservativos entre os jovens de 15 a 24 anos e melhorar a qualidade dos cuidados pediátricos até ao mesmo ano

A revelação é da primeira-dama, Ana Dias Lourenço, durante o encontro com cônjuges dos governadores provinciais e com os directores provinciais da Saúde, que visou a apresentação do Plano Operacional da Prevenção de Transmissão do VIH de mãe para o filho (2019-2021) e as respectivas metas nacionais e provinciais. De acordo com Ana Dias Lourenço, Angola está comprometida com a eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho, programa também conhecido como prevenção da transmissão vertical.

Apesar dos esforços empreendidos, o país regista baixa cobertura dos serviços de prevenção da transmissão vertical, razão por que foi incluído entre os 22 países prioritários para a eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho até 2030. Segundo dados do Ministério da Saúde, existem no país 650 unidades sanitárias que oferecem o Programa de Prevenção da Transmissão de VIH de Mãe para Filho, mas, apesar dessa oferta de serviços, realçou, em 2017 apenas 40% das grávidas fez a primeira consulta pré-natal durante o primeiro trimestre de gravidez, e que 18% não fez nenhuma consulta pré-natal.

O presente plano tem como objectivo geral reduzir em 46 por cento as novas infecções VIH pediátricas até 2021, e três objectivos específicos, nomeadamente aumentar a utilização de preservativos entre os jovens de 15 a 24 anos de idade, de 33 por cento para 65 por cento; reduzir de 26 para 14 por cento a transmissão da mãe para o filho e melhorar a qualidade dos cuidados pediátricos até 2021. “É nossa obrigação consciencializar a população e as famílias, em particular as mulheres em idade fértil, as grávidas, as adolescentes e os jovens, sobre o que pode ser feito para prevenir a transmissão do VIH da mãe para o filho”, realçou Ana Dias Lourenço. Fez saber que para atingir os objectivos foi elaborado um Plano Operacional 2019-2021, com actividades orçamentadas e metas bem definidas, e criados planos provinciais com a participação de entidades locais de saúde, sendo os projectos adequados a cada localidade.

Crianças seropositivas terão tratamento precoce

Por sua vez, a directora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), Lúcia Furtado, explicou que o Plano Operacional de Prevenção da Transmissão do VIH de mãe para filho 2019-2021 vai permitir tratar precocemente crianças seropositivas, através do diagnóstico precoce infantil e da aplicação de aconselhamento e testagem. O trabalho será realizado durante consultas de puericultura, vacinação, nutrição e outros serviços oferecidos às crianças. Segundo a responsável, para alcançar os objectivos preconizados, o plano foi subdividido em quatro eixos: prevenção primária do VIH; prevenção da transmissão do VIH de mãe para filho; Tratamento pediátrico, e áreas transversais (combate ao estigma e discriminação).

Mais de 50 mil milhões de Kwanzas para o plano

A implementação do Plano Operacional de Prevenção da Transmissão do VIH de mãe para o filho está avaliada em 51 mil e quatrocentos e um milhões, seiscentos e trinta e nove mil e seiscentos e dois Kwanzas e noventa e cinco cêntimos. Em média, estima-se que em cada ano serão necessários 17 mil milhões de Kwanzas. Acrescentou que numa primeira fase foram seleccionadas para a implementação do plano as províncias de Benguela, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Luanda, Lunda-Sul e Moxico Os grupos prioritários, para além das “grávidas da população em geral”, são as grávidas do meio rural, as adolescentes, em particular as que fazem parte das populações vulneráveis, as mulheres trabalhadoras de sexo e as prisioneiras.

Angola com 310 mil pessoas com VIH

Segundo a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, a prevalência do VIH em Angola é de dois por cento. Ou seja, em cada 100 pessoas, duas vivem com o VIH. Com base nessa prevalência, estima-se que em Angola vivam 310 mil pessoas com VIH, mas apenas cerca de metade destas sabem que têm o vírus. Fez saber que 21 mil mulheres que têm VIH ficam grávidas e muitas dessas não sabem o seu estado sorológico, não beneficiam (nem elas, nem os seus bebés) da prevenção da transmissão do VIH. Consequentemente, estima-se que em cada ano nasçam cinco mil e 500 crianças com o VIH no nosso país. “Actualmente estima-se que no nosso país 34% de mulheres gravidas seropositivas recebem terapias anti-retroviral para prevenir a transmissão do VIH de mãe para filho. “A taxa de transmissão de VIH das gestantes positivas aos seus bebés é estimada em 26 %, de acordo com dados da OUNUSIDA em 2017”, disse.

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