Grevistas da Epal dizem-se coagidos pela PN a voltar ao trabalho

A comissão sindical afecta à CGSILA afirma existirem trabalhadores que sofreram ameaças de despedimento e foram alvos de processos disciplinares por aderirem à paralisação. A Polícia Nacional esclarece que é da sua alçada garantir a protecção dos centros de distribuição de água por serem zonas estratégicas do Estado.

Um grupo de trabalhadores grevistas da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) revelou, ontem, a OPAÍS, estarem a ser obrigados a trabalhar forçadamente sob ameaça de prisão e despedimento.

De acordo com o delegado de greve, Adelino Lourenço, as acções tiveram início um dia depois do arranque da greve, isto a 29 de Março, quando, por ocasião de uma visita de constatação às estações de tratamento de água de Kifangondo e a Kassaque, alguns dos funcionários foram intimidados pela Polícia para operarem as máquinas.

“No primeiro dia desloquei-me a destas duas subestações para constatar o grau de adesão à paralisação. Tive conhecimento que os efectivos da Polícia chegaram depois de ter abandonado o local. No dia seguinte, quando lá cheguei não consegui ter acesso ao recinto, pois estava cercado pelas referidas forças”, detalhou.

A par destes relatos, denunciou também que os seus colegas, em pleno exercício de greve, foram forçados a regressarem ao trabalho, sob ameaça de que se não o fizessem seriam detidos.

A fonte disse não entender tal intervenção, visto que é do seu conhecimento que a lei defende que durante o decorrer da greve os funcionários devem apenas garantir os serviços mínimos. Por seu turno, o primeiro secretário da comissão Sindical da EPAL filiada à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA), António Vasco Martins Domingos, afirmou existirem funcionários que estão a ser ameaçados de despedimento, enquanto outros são alvo de processo disciplinar, como é o seu caso.

O responsável afirma que, por não existir um pronunciamento da entidade empregadora até a data, isto é, 12 dias depois do arranque da greve, vão optar por paralisar todos os serviços. “Apesar de alguns colegas terem recuado com medo de represálias, nós vamos até ao fim, independentemente das sanções que nos pretendam aplicar”, defendeu.

Polícia protege a zona de distribuição

Contactado pelo OPAÍS, o director do Gabinete de Comunicação e Imprensa do MININT, Mateus Rodrigues, esclareceu que cabe à Polícia Nacional garantir a protecção dos centros de distribuição de água, por serem zonas estratégicas do Estado. Por outro lado, explicou que no dia da referida ocorrência, os efectivos estavam presentes no local para garantir a integridade dos funcionários que não aderiam à greve e trabalhavam no local para a garantia dos serviços mínimos à população.

“Não temos qualquer interesse com o desenrolar da greve, mas é nossa missão impedir qualquer acção que possa violar ou molestar os funcionários em exercício das suas funções, concluiu”. Importa realçar que a Comissão Sindical da EPAL filiada à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA) encontra-se em greve desde o dia 28 de Março, visto que desde o dia 29 de Janeiro de 2019, altura em que procederam à entrega do caderno reivindicativo à instituição, não há um consenso entre as partes durante o processo de negociações.

Da lista de reivindicações, composta por 12 capítulos, além das reclamações em torno da falta de um ajuste salarial sobre a suspensão do seguro de saúde, constam relatos de funcionários que são obrigados a levar de casa o próprio material de limpeza (esfregonas, baldes e vassouras) para trabalharem, de forma a evitar processos disciplinares.

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