Nem já beijinho…

d ir-se-á, eventualmente, tratar- se de uma questão cultural, está bem, mas também se pode mudar. No Sábado, meio mundo assinalou o Dia do Beijo, nós, por cá, quase não se percebeu. A maior parte das pessoas com quem falei pensou imediatamente no chamado beijo francês, molhado, dos amantes.

Não, não precisa de ter obrigatoriamente esta carga erótica, o beijo é sobretudo afecto, uma forma de comunicação, uma declaração qualquer que signifi ca “eu me entrego, eu te aceito”. Mas em Angola, o beijo ao pai por homens adultos, ou jovens, é entendido como um gesto de submissão, uma diminuição qualquer.

Ouvi respostas como: “eu, nesta idade? Já sou kota”. Estes, seguramente, não vão dar aos fi lhos os beijos merecidos, ou necessários.

Ou seja, as pessoas julgam que demonstrações de afecto têm limites. Talvez devêssemos ponderar, como sociedade, até que ponto a educação para a expressão de afectos deva ser sem tabus, ainda que no meio familiar nos torne melhores pessoas.

Já beijo dos amantes em público, em Angola parece uma heresia, condenável, de tão pouco que se vê. Mas o problema é deles e delas. Anda muita gente com o medo errado, sobretudo porque se teme o sentido de compromisso que o beijo em público encerra.