Vítimas de ciclone forçadas a fazer sexo em troca de ajuda humanitária

Uma reportagem do Jornal de Notícias em Moçambique mostra como numa aldeia a 80 quilómetros da Beira há mulheres a serem forçadas a actos sexuais para receberem os donativos enviados para o país

Há mulheres moçambicanas a serem forçadas a actos sexuais em troca de ajuda humanitária, na sequência da destruição causada pelo ciclone Idai, de acordo com uma reportagem no local publicada na edição deste domingo do Jornal de Notícias.

A reportagem acompanha a história de uma mulher, mãe de três filhos entre os 2 e os 12 anos de idade, e cuja identidade foi ocultada, que já foi violada pelo menos três vezes por um dos chefes da aldeia de Lamego (a cerca de 80 quilómetros da cidade da Beira, a localidade mais afectada pelo ciclone), como contrapartida para receber um saco de 10kg de arroz — único alimento que ela e os filhos têm comido nas últimas semanas.

Segundo o JN, os donativos que têm chegado a Moçambique através de Governos e organizações não governamentais são distribuídos pelos chefes das aldeias, a quem cabe realizar essa tarefa. É a esse nível que se estão a registar vários casos de corrupção. Haverá inclusivamente uma grande quantidade de bens a serem desviados para mercearias, que cobram pelos produtos alimentares.

Os chefes das aldeias, de acordo com a reportagem, são quem decide quem tem direito aos donativos, e é frequente que várias mulheres sejam deixadas sem acesso a comida. “Tu não. Tu não levas comida. Vai para casa. Eu depois logo chego lá e dou o saco a você”, terá dito um chefe da aldeia àquela mulher num dia desta semana. Nesse dia, foi a casa da mulher e violou-a, deixando- lhe depois o saco de arroz.