Em clima de ensaios, Pérola fala sobre Duetos N’Avenida e da cena musical angolana

O actual cenário musical e o desafio em cantar em duo, numa promoção da Zona jovem, foi o mote da conversa com a cantora Pérola, uma das vozes aguardadas para o “duetos n’Avenida”, com a também cantora Yola Semedo

Dias 25 e 27, são os agendados para que dividam o palco: “Será um enorme desafio para mim, de muita responsabilidade”, salienta. Sobre a cena musical angolana e os diversos artistas a disputar espaço nesse mercado, considerou: “É necessário que haja de facto uma efectiva profissionalização e protecção dos mesmos”. A seguir, os melhores trechos da entrevista: O que pensa do Duetos N’Avenida e, para si, qual é o maior diferencial do projecto?

Eu acho a iniciativa encantadora. Engrandece a música angolana, pela oportunidade que cria para os artistas e para o público também. Duetos de cantores com percursos e vivências artísticas diferentes é sempre uma experiência expectante e única. A originalidade do formato em Angola é o maior diferencial do projecto. Estão de parabéns os seus mentores!

Foi uma surpresa para quem estava na Casa 70, no dia 29 Março, ver uma das maiores referência de Angola fazer uma participação no Duetos. O que a motivou?

Fui honrada com o convite e foi muito bom voltar a cantar a música “Amor de ninguém”, com o Don Kikas. Gosto muito do Don Kikas e do Walter Ananaz, individualmente, portanto estava curiosa. No final, a experiência encheu-me a alma, a performance dos dois em dueto foi muito boa. Individualmente não tinha dúvidas, são ambos excelentes artistas, gosto muito!

E como foi que recebeu o convite para fazer um dueto com Yola Semedo?

Com muito agrado. Será uma grande honra poder estar no mesmo palco em dueto com a Yola Semedo. Considerando o seu percurso é um privilégio para qualquer artista. Será um enorme desafio para mim, de muita responsabilidade.

Acompanha a carreira de Yola Semedo? Que temas de autoria dela faz gosto em interpretar?

Sou fã da Yola Semedo desde muito cedo, acompanho-a desde os Impactus 4. É uma artista completa, trabalhou muito e conquistou por mérito o lugar de referência incontornável da música angolana. Do seu trabalho tenho naturalmente as minhas preferências, mas não vou desvendar. Vão conhecer no show (risos).

O mercado da música angolana mostra-se cada vez mais competitivo. Como tem conseguido manter-se dentro da tabela dos artistas com mais sucessos e com as músicas mais tocadas?

Sou cantora por opção e escolhi a arte como modo de vida. Mas, na realidade, até acho que foi a arte que me escolheu. Formei-me em outra área académica, mas, assim que foi possível, fui à procura do meu sonho. E é isso que tenho feito, seguindo o meu instinto artístico, abraçando todas as oportunidades, sempre com muita responsabilidade e dedicação. O objectivo é buscar fazer o que gosto, procurar constantemente novas sonoridades, mensagens com que me identifique e melhorar constantemente as minhas performances em palco. Felizmente, o resultado dessa entrega tem sido bem-recebido e isso motiva-me a continuar com mais determinação.

A Pérola é uma artista versátil. Quais são as suas maiores influências na música e em que estilo sente-se mais confortável cantar?

Cresci a ouvir vários estilos. O meu pai foi músico e o que não faltava em nossa casa era música. Essa é a minha grande base. Mas a minha experiência veio da prática, do registo de todas as vivências, seja no trabalho com produtores de vários estilos, com outros colegas, professores de canto, de voz, ensaiando com bandas, ou tão-somente assistindo à performance de outros artistas. Tudo isso tornou- me de facto versátil. Mas é no Zouk Love que está a minha zona de conforto.

Acredita que a música angolana viva uma nova fase? E o que acha dessa etapa?

Conquistamos um espaço não só em Angola como fora, e isso é muito positivo. Mas há naturalmente muito por fazer. Não basta apenas haver mais artistas – consagrados ou novos talentos – no mercado. Não chega! É necessário que haja de facto uma efectiva profissionalização e protecção dos mesmos. Só assim teremos a nossa música mais forte.

Tem algum trabalho novo a caminho?

Sim, em breve darei novidades.

O Duetos, apenas com uma temporada completa e com a segunda em curso, conquistou o Prémio Prestígio do Moda Luanda. Acredita na continuidade deste projecto?

Todos os prémios são um reconhecimento e isso é sempre muito positivo, mas igualmente um incentivo e responsabilidade para procurarmos fazer mais e melhor. Espero que a organização receba dessa forma e que nos brinde a todos com mais produções de qualidade.

Estão já a trabalhar sob controlo do director artístico dos Duetos, que é o Chalana Dantas. Já havia trabalhado com ele antes? Como estão a decorrer os ensaios?

Eu conheço o Chalana e já tive a oportunidade de trabalhar com ele antes, em outro contexto. Portanto, nas vestes de director artístico será a primeira vez, mas acredito que vai correr tudo bem aliás já está a correr. Juntos procuramos fazer um lindo espectáculo para todos aqueles que forem à Casa 70.