RESEARCH ATLANTICO: A moderação do crescimento económico mundial

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia mundial cresça 3,3% em 2019 e melhore para 3,6% em 2020, de acordo com dados do World economic outlook (Weo) de Abril do ano corrente. A perspectiva da instituição de Bretton Woods representa uma revisão em baixa, considerando-se as estimativas de 3,7% de crescimento apresentadas para os dois anos acima referenciados, no relatório de outubro de 2018.

O desempenho de aproximadamente 70% das economias globais poderá registar declínio em 2019, face a 2018, em consequência dos desafios e incertezas no curto prazo, como a tensão comercial entre os EUA e a China, instabilidade macroeconómica na Argentina e na Turquia, bem como, a normalização da política monetária pelas economias desenvolvidas. A contribuição negativa destes factores para o crescimento económico tem tido impacto desde o IIº semestre de 2018, sendo que o FMI perspectiva que a influência seja sentida até ao Iº semestre de 2019. Na segunda metade de 2019 perspectiva- se uma recuperação do crescimento, que poderá reflectir uma política consentânea a ser adoptada pelas principais economias mundiais. O posicionamento destas economias poderá reflectir a ausência de pressões inflacionárias. O WEO de Abril perspectiva que a taxa de inflação, nas economias avançadas, registe variação de 2% em 2018, para 1,6% em 2019. No caso das economias Emergentes e em Desenvolvimento estima-se a trajectória inversa, com a inflação a variar de 4,8% em 2018, para 4,9% em 2019.

A Reserva Federal norte-americana apresentou a possibilidade de não realizar aumentos das taxas de juro de referência no ano corrente, em consequência do incremento dos riscos globais. O Banco Central Europeu, do Japão, da China e da Inglaterra também mudaram para uma política monetária mais acomodatícia. Em relação à China, destaca-se a intensificação dos estímulos fiscais e monetários, para conter o impacto negativo das tarifas comerciais, em consequência da tensão comercial com os EUA, cujas perspectivas melhoraram com a possibilidade de um acordo, entre as economias, proximamente.

Em 2020, o crescimento económico mundial poderá registar recuperação, devido às melhorias a serem adoptadas no IIº semestre de 2019 e pelo melhor desempenho de economias como a da Argentina e Turquia. Além de 2020 o crescimento poderá estabilizar- se em cerca de 3,5%, em consequência principalmente do crescimento de economias como a China e a Índia. Sendo que o crescimento nas economias desenvolvidas poderá reduzir gradualmente, à medida que o impacto dos estímulos fiscais norte- americanos enfraquecer e o crescimento prosseguir para um potencial mais baixo,  considerando- se o envelhecimento da população e o baixo crescimento da produtividade. Os riscos ao crescimento económico mundial caracterizam-se pela incerteza em relação à restauração das relações comerciais, o crescimento da China, que poderá registar um desempenho abaixo das expectativas e a incerteza em relação à conclusão do Brexit.

Destaca-se que a tensão comercial poderá penalizar o fluxo de investimentos considerando- se que a redução das tarifas comerciais contribuiu nas últimas três décadas para a redução do preço relativo de máquinas e equipamentos, em consequência do incremento da produtividade e da integração comercial. A instituição de Bretton Woods recomenda às economias de baixo rendimento exportadoras de matérias- primas que adoptem um processo de diversificação que se distancie das commodities tendose em consideração a perspectiva moderada para o preço das mesmas. A política monetária deverá depender do desempenho das economias, sendo que a comunicação transparente e eficiente do regulador – Banco Central – contribuirá para que se mantenha sob controlo as expectativas sobre a taxa de inflação.

Simultaneamente, para a política fiscal recomenda a gestão eficiente do trade-off entre estimular a procura ou consumo, e garantir que a dívida pública se mantenha numa trajectória sustentável. O crescimento estimado para as economias em desenvolvimento poderá estabilizar- se em torno de 5% após 2020, e poderá variar o desempenho de acordo com a cotação internacional das commodities e pelas tensões políticas em cada país. Em relação à África subsariana destaca- se que o crescimento poderá aumentar para 3,5% em 2019 e 3,7% em 2020, após registo de 3% em 2018. As duas primeiras projecções representam revisões em baixa de 0,3 p.p. e 0,2 p.p. em relação ao relatório de Outubro de 2018, pela moderação das perspectivas de economias como angolana (crescimento de 0,4% e 2,9% em 2019 e 2020) e a nigeriana (2,1% e 2,5%, em 2019 e 2020), devido a dependência do crude.

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