Vacinas políticas

Os políticos têm sempre um tempo de graça, em que, de facto, o povo até lhes acha graça. E pode durar anos, mas haverá sempre um momento em que as pessoas, ainda que não respondendo, deixarão de os ouvir, ou simplesmente passarão a lidar com eles com cinismo. Acabo de receber, só para me fazer lembrar, uma série de títulos que funcionam como vacinas e nos dão a força para resistirmos. A ponte entre o Zaire e Cabinda foi anunciada com prazo estabelecido, assim como o metro de superfície de Luanda, ou a entrada em funcionamento do ciclo combinado do Soyo. Os exemplos de promessas vãs são muitos. E continuam: a estrada entre o Cuima e o Cusse era para ficar terminada no primeiro trimestre deste ano, nada. Agora já se atira lá mais para o fim do ano. Tal como a Nacional 100, cujas obras de reparação e alargamento não há hora de terminarem. A ministra da Indústria anunciou a deslocalização da fábrica de fertilizantes em construção em Benguela, mas as obras continuam. Nem adianta falar da lenga-lenga do bilhete de identidade na hora, do fim das gasosas nos hospitais, etc. A lisura na governação e nos concursos públicos ficou abalada com o que aconteceu nas telecomunicações. Felizmente há quem vá compilando as fintas que nos fazem e nos vão reforçando a vacina, para não nos esquecermos.