Bahrein prende 139 pessoas por acusações de terrorismo e revoga cidadania

Um tribunal do Bahrein, aliado do Ocidente, sentenciou nesta Terça-feira 139 pessoas à prisão por acusações de terrorismo e revogou a cidadania de todos, menos um deles, disse o procurador público, no último julgamento em massa no Estado árabe do Golfo Pérsico.

O Bahrein, que acolhe a Quinta Frota da Marinha dos EUA, processou centenas de manifestantes em julgamentos em massa e proibiu os principais grupos da oposição. A maioria das principais figuras da oposição e activistas de direitos humanos está presa ou fugiu para o exterior. Tais julgamentos, condenados por grupos de direitos humanos, tornaram-se comuns depois de uma insurreição fracassada em 2011, liderada por membros da maioria muçulmana xiita no país, dominado por sunitas, e esmagada com a ajuda da vizinha Arábia Saudita.

A Suprema Corte Criminal condenou à prisão perpétua 69 dos réus, disse o procurador, acrescentando que foram condenados por crimes, incluindo a participação num grupo “terrorista”, atentados à bomba, tentativa de assassinato e treino com armas e explosivos. Os réus haviam formado uma célula ligada ao Irão, que se considerava como “Hezbollah do Bahrein”, com o propósito de realizar ataques no país. Os réus têm o direito de apelar da decisão, disse. Dos condenados, 60 estavam à revelia, disse um advogado de defesa. Desde a revolta de oito anos atrás, a nação da ilha do Golfo tem visto confrontos periódicos entre manifestantes e forças de segurança, noa quais houve vários ataques à bomba.

O Instituto para os Direitos e a Democracia do Bahrein, com sede na Grã-Bretanha, criticou o julgamento como “profundamente injusto” e disse que o Barein estava a usar as revogações da cidadania como uma “ferramenta de opressão”. A decisão de Terça-feira elevou o número de revogações de cidadania no Bahrein para 990, 180 das quais este ano, disse o instituto em um comunicado. “Um julgamento em massa não pode produzir um resultado justo e tornar as pessoas sem estado num julgamento em massa é uma clara violação da lei internacional”, disse o director do Instituto de Advocacia Sayed Ahmed Alwadaei. O governo nega deliberadamente atacar a oposição política xiita, dizendo que está apenas a agir para preservar a segurança nacional do Bahrein.

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