Funcionários dos Caminhos de Ferro de Benguela ameaçam greve

A comissão sindical deverá convocar para Segunda-feira, 22, a assembleia-geral de trabalhadores, a fim de serem definidos os termos da greve, como forma de pressionar a entidade patronal a honrar com os seus compromissos

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Trabalhadores do Caminho- de-Ferro-de Benguela(CFB) exigem o aumento dos seus salários na ordem dos 100%, alteração do subsídio de alimentação de 4 para 15 mil Kwanzas, entre outras. As reivindicações dos trabalhadores constam de um caderno reivindicativo enviado ao Conselho de Administração do Caminho- de-Ferro de Benguela, que engloba as províncias do Huambo, Bié e Moxico. Entretanto, na pauta reivindicativa, um documento que antecedeu ao caderno, apresentada à direcção do CFB, liderado por Luís Lopes Teixeira, a comissão sindical exigia a atribuição de subsídios de risco e de isolamento para os trabalhadores das oficinas e aos destacados fora das suas localidades. Os funcionários reivindicam igualmente a regulamentação e definição do qualificador de funções no provimento de qualquer cargo, quer para carreira ou para comissão de serviço.

Despedimentos ilegais

A comissão sindical acusa o CFB de ter efectuado despedimentos à margem da lei laboral. Trata-se dos funcionários Sérgio Bonifácio, Cipriano Luís, Joaquim Mande e Gabriel Januário a quem se lhes aplicou a medida de despedimento na sequência do acidente de um comboio que transportava combustível, no troço Benguela/Bié. Mas a comissão sindical atribui culpa do descarrilamento do comboio à direcção da empresa, por escalar um maquinista sem passar por uma reciclagem das novas locomotivas, segundo o seu primeiro secretário Bernardo Henriques. Em declarações aO PAÍS contou que, num espaço de 6 meses, o Conselho de Administração despediu 10 trabalhadores, oito dos quais envolvidos no acidente. “Os maquinistas usam telefone móvel. No local onde aconteceu o acidente não tem cobertura das redes unitel e movicel”, esclareceu.

Motivos da greve

Bernardo Henriques justifica que, em nome dos 1400 trabalhadores, remeteram, no dia 8 deste mês, um caderno reivindicativo, exigindo a criação de melhores condições salariais e não só ao qual a entidade empregadora, nos termos da Lei da Greve, devia responder 5 dias depois, cujo prazo expirou na 6ª feira. Face ao comportamento da Administração, a comissão sindical deverá convocar para Segunda-feira, 22, a assembleia-geral de trabalhador, onde se definirão os termos da greve, como forma de pressionar a entidade patronal a honrar os seus compromissos. “Eles estão a intimidar os trabalhadores. O salário mínimo que estão a praticar é 34 mil e nós queremos um aumento de 100 %”, disse Bernardo Henriques. Para o sindicalista, não se justifica os salários actualmente praticados, uma vez que a empresa, nos últimos tempos, viu as suas receitas aumentar em consequência do transporte do minério da República Democrática do Congo(RDC) para Angola. “Noventa e nove por cento do nosso salário é suportado pelo Orçamento Geral do Estado, as outras receitas estão a ir para onde? Por isso é que estamos a pedir esse aumento”, argumentou.

Direcção promete falar nos próximos dias

O presidente do Conselho de Administração do CFB, Luís Lopes Teixeira, disse que a sua direcção deverá pronunciar-se nos próximos dias sobre o assunto. Segundo apurou este jornal, respondendo à pauta reivindicativa, a direcção do CFB refere que depois de ter tomado posse fez um “diagnóstico profundo da empresa” do qual se detectaram vários aspectos urgentes a resolver. De entre os muitos, destacase a “actualização das categorias do pessoal em serviço há mais de 10 anos, com variação na ordem de 10 a 100%. Segundo o documento a que tivemos acesso, a direcção do CFB considera urgente a regularização do fornecimento da cesta básica, melhoria das condições da tripulação, como subsídio de deslocação, alojamento e alimentação. Defende ainda a melhoria do controlo interno, sobretudo na facturação e recebimentos de que resultou o aumento de mais de 100% das receitas face ao ano anterior.

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