Sindicato do CFL defende salário mínimo de 72 mil Kz

O Conselho de Administração da instituição apela o bom senso aos trabalhadores, alegando que nos últimos três meses tiveram prejuízos acima dos 30 milhões resultantes da greve anterior e dos danos provocados pela chuvas em Malanje

O secretário para informação do Sindicato dos Trabalhadores dos Caminhos-de-Ferro de Luanda(CFL), Lourenço Contreiras, afirmou ontem a OPAÍS estarem criadas todas as condições para o arranque da greve geral marcada para amanhã, Quinta- feira, 18 . Durante o referido período serão garantidos apenas os serviços mínimos, isto é dois comboios diários. Entretanto, esclarece que não estarão descartadas as negociações.

“ Se anteriormente negociámos apenas com o conselho de administração, desta vez queremos a intervenção do Ministério de tutela, para que garantam que seja revista a questão salarial”, defendeu. Segundo Lourenço Contreiras, o funcionário pertencente à categoria mais baixa dos escalões existentes na empresa (auxiliar de limpeza) tem um salário de 40 mil Kwanzas, com o subsídio de alimentação e o subsídio de risco, equivalente a cinco por cento do seu salário. Deste modo, são de opinião que o ordenado mínimo destes profissionais doravante seja de 72 mil Kwanzas, mais os subsídios a que têm direito para que tenham condições de garantirem o sustento de suas famílias.

Ao fazer menção do pessoal técnico, dando a título de exemplo os maquinistas (condutor da locomotiva), disse que estes actualmente recebem um salário na ordem de 73 mil Kwanzas mais os subsídios de alimentação e risco. Situação que na visão do sindicato também deve ser rapidamente alterada, com o aumento de 80 por cento, apresentado no caderno reivindicativo. Lourenço Contreiras afirma que como resultado da primeira greve, conseguiram a alteração do subsídio de alimentação de 9 para 16 mil Kwanzas e continuarão empenhados para que os interesses da classe operária sejam salvaguardados. Conselho de administração apela trabalhadores ao bom senso O Conselho de Administração dos Caminhos-de-Ferro de Luanda apela ao bom senso dos trabalhadores para que não retornem a greve uma vez que a anterior gerou um prejuízo aos cofres da empresa na ordem dos 17 milhões de Kwanzas.

Segundo uma nota de imprensa a que o OPAÍS teve acesso ontem, em Luanda, a par desta perda, a instituição foi forçada a interromper a circulação ferroviária para N’dalatando e Malanje, por um período de 50 dias, devido aos danos causados pelas fortes chuvas que se abateram sobre as referidas regiões, gerando um prejuízo de 23 milhões de Kwanzas. Salientando que estas e outras circunstâncias impediram que fossem criadas receitas suficientes para que se efectivasse o incremento salarial exigido pela comissão sindical. Importa realçar que, recentemente, em conferência de imprensa, o presidente do conselho de administração do CFL, Júlio Bango, afirmou que, apesar de a empresa beneficiar de um subsídio operacional, não recebe verbas do Orçamento Geral do Estado (OGE). Deste modo, necessita de criar novas fontes de receita como o transporte de combustíveis, recursos minerais, florestais e agrícolas. O braço-de-ferro entre os sindicalistas e a entidade patronal teve início a 14 de Janeiro de 2018. Na ocasião, os funcionários do CFL entraram em greve por tempo indeterminado para reivindicar, entre outros aspectos, um aumento salarial e melhores condições laborais. A empresa alega que foram atendidas 95 por cento das reivindicações dos funcionários e diz haver falta de bom senso por parte destes.

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