Taxa do VIH no Cunene permanece a mais alta do país apesar dos esforços do Executivo

A prevalência do VIH na província do Cunene é a mais alta do país com 6,7 por cento, segundo a directora do gabinete provincial de saúde, Jorgina Nunes, durante uma entrevista a OPAÍS no acto da apresentação do Plano Provincial 2019-2021, que pretende reduzir a taxa de transmissão do VIH de mãe para filho de 26 para 14 por cento, até 2021 em todo o país

Recentemente foi apresentado, em Luanda, o Plano Operacional para a prevenção da transmissão do VIH de mãe para filho 2019- 2021, tendo em vista o alcance das metas da campanha “Nascer Livre Para Brilhar”. Durante a apresentação, quatro províncias, Benguela, Cunene, Huambo e Moxico, foram seleccionadas para mostrarem as suas particularidades neste processo. Jorgina Nunes, directora do gabinete provincial de Saúde da provincia do Cunene, explicou que a situação da prevenção de transmissão do VIH de mãe para filho na província do Cunene é ainda muito preocupante. A prevalência do VIH em mulheres com a idade compreendida entre os 15 e os 49 anos é de 6,7 por cento. Gestantes com o VIH são 18 mil 621.

O números de gestantes com VIH em tratamento anti-retroviral e TB são 250. Com uma taxa de fertilidade que ronda os 7,2%, a cobertura de testagem de mulheres é de 99,3%. A taxa de parto institucional, ronda os 25,6%. Os números de unidade de Saúde com Consulta Pré-Natal (CPN) é de 83% e 19 unidades de saúde oferecem consultas pré-natal. Um total de 426 mulheres gestantes tiveram os testes positivos com VIH, e das 337 crianças expostas ao vírus, 30 foram diagnosticadas positivo e recebem tratamento anti-retroviral. Realçou ainda que enfrentam algumas dificuldades, devido à localização geográfica da província, pois em muitas comunas e municípios as populações encontram-se dispersas, o que de certa forma dificulta o trabalho de sensibilização e combate desta epidemia.

Benguela, com 78% de cobertura em consulta pré-natal O director do gabinete provincial de Saúde de Benguela, António Manuel Cabinda, revelou que a província de Benguela tem uma cobertura de consulta de pré- Natal na ordem dos 78 por cento. Os partos institucionais estão em 48 por cento. Actualmente a província tem 175 unidades sanitárias que prestam consulta prénatal, destas 143 têm o serviço ou o programa de prevenção da transmissão vertical, sendo que a prevalência do VIH em mulheres dos 15 aos 49 anos é de 2.1%. “Em 2018 conseguimos acompanhar cerca de 70 crianças filhos de mães seropositivas e destas no final do acompanhamento duas tiveram o resultado positivo, porque as mães abandonaram o tratamento. Actualmente temos 87 crianças a fazerem o tratamento anti-retroviral”, contou. Já Jovita Tchocovuco, a directora do gabinete provincial de Saúde do Huambo, revelou que têm uma taxa de fecundidade de 8% (bem como a taxa de prevalência do VIH em mulheres dos 15 aos 49 anos), cobertura da consulta de pré-natal de 89.7%; o número de unidades de Saúde de cobertura de testagem é de 198, num universo de 248 unidades sanitárias. Das gestantes testadas, num universo de 29 mil 699 mulheres, 455 tiveram testes positivos.

Disse ainda que as Crianças nascidas de mulheres com VIH que realizaram testes foram 191, e deste número 80 crianças têm o VIH positivo. Actualmente a província controla um total 118 crianças em tratamento. Moxico com 871 mulheres com VIH Por sua vez, Henriques Ramalho, director do gabinete provincial de Saúde do Moxico, disse que a província tem apenas 98 unidades sanitárias com CPN, destas apenas 15 % oferecem os serviços de TB. A prevalência com mulheres com VIH é de 6.1%. “Temos 10 mil 494 mulheres testadas com VIH durante 2018 e destas, 871 deram positivo. Mesmo dentro deste número apenas damos o tratamento a 301. Foram testadas 62 crianças e destas apenas 4 deram positivos”, disse

Queremos o conhecimento do seu estado serológico

Durante a sua intervenção, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, explicou que olhando para as metas internacionais, o país tem um longo caminho a percorrer em que o contributo de todos ajudará a encontrar soluções para o combate a esta epidemia e redução das suas vítimas. “Pretendemos com isto garantir que 90% de pessoas que vivem com VIH conheçam o seu estado serológico, que 90% das pessoas diagnosticadas com o VIH recebam terapia anti-retroviral e que estas pessoas que vivem com VIH, em tratamento, atinjam a supressão da carga viral”, disse. Realçou que todos somos responsáveis pelo plano de resposta ao VIH/Sida, devemos procurar informações, orientar as pessoas e principalmente mostrar apoio e não discriminar ninguém que vive com a doença. Sem descuidar as outras regiões, para inverter a taxa de Transmissão do VIH de Mãe para Filho (TMF) no país, numa fase inicial foram seleccionadas como províncias prioritárias, as de Benguela, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huila, Luanda, Lunda-Sul e Moxico.

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