Oposição de faz de conta

As últimas semanas têm sido particularmente ricas de maná para a Oposição política aproveitar, nutrir-se e tirar partido folgadamente. Mas não, a nossa Oposição deve ter tomado alguma coisa que a deixa no mais profundo torpor, alheia às oportunidades de capitalização política. O partido no poder e o Executivo deram tantos tiros no pé que só mesmo uma Oposição moribunda não os viu. E estamos perto das eleições autárquicas, e tem a Oposição um alvo bem defi nido na pessoa do líder do MPLA que já afirmou, com quatro anos de antecedência, praticamente, que voltará a apresentar-se aos eleitores para lhes pedir um segundo mandato como Presidente da República. A cesta de presentes tem o caso do julgamento da “Burla à Tailandesa”, o do Fundo Soberano, tem a história do concurso para a nova operadora de telefonia, e tem o caso criado com a viagem do Presidente José Eduardo dos Santos ao exterior. Um ramalhete se assuntos para a Oposição opinar, tomar posição, dizer alguma coisa, tirar vantagem. Bem, isso seria se tivéssemos Oposição de verdade, minimamente organizada, atenta, interessada noutras coisas para além dos Lexus, o que não temos, claramente. O MPLA pode sentir-se num parque infantil e fazer até as asneiras que quiser.