Cláudia dos Santos”Eu encaro o jiu-jitsu como uma terapia”

A atleta de jiu-jitsu da academia Aliança do Tatame de Angola (ATA), na categoria de faixa branca, cláudia dos Santos “cacau”, de 20 anos, falou a o PAÍS do seu percurso no mundo deste desporto. A lutadora, duas vezes campeã nacional, sonha um dia disputar uma prova mundial

Como foi que tudo começou?

A princípio treinava andebol, mas tive de parar por causa da escola, porque o horário não permitia. Comecei a praticar jiu-jitsu a convite de Yuri Alexandre para uma aula experimental. Gostei da aula, e a partir daí nunca mais parei.

Qual foi a reacção dos pais quando decidiu seguir para este desporto de luta?

A minha mãe gostou muito. Os meus familiares aceitaram normalmente, porque eu quando parei de treinar andebol, estava a engordar muito, razão pela qual tive de arranjar uma maneira de estancar a situação. O jiu-jitsu foi a solução. Comecei a dedicar-me aos treinos até hoje.

Alguns atletas abusam desta arte marcial. Concorda com esta afirmação?

Concordo.

Porquê?

Olha, esta arte exige muita responsabilidade. A maioria dos atletas, sobretudo do sexo masculino, não faz o uso correcto desta modalidade. Alguns dão-se ao luxo de lutar nas ruas normalmente. Não se compreende porque razão muitos pensam dessa maneira. Era bom que as pessoas soubessem que esta arte serve também para nos defender nas ruas.

Já participou em alguma prova internacional?

Ainda não! Só a nível nacional. Já conquistei duas provas nacionais e arrebatei também uma medalha de prata e outra de bronze.

Sempre sonhou ser uma lutadora?

Não! Eu sempre quis ser uma atleta de andebol. Mas a escola não ajudou. Por isso optei pelo jiu-jitsu. E penso chegar mais longe e estou a caminho de dois anos nesta modalidade. Ainda sou nova.

Antes de praticar o jiu-jitsu o que se deve fazer primeiro? O que tens feito?

O atleta tem de fazer primeiramente uma preparação antes de partir para uma luta. Alongamentos são essenciais para que se evite possíveis lesões. Feitos os alongamentos, só assim se deve partir para uma luta/treino.

Quem deve praticar o jiu-jitsu?

Há pessoas que não devem praticar esta modalidade, porque isso não é para todos. A partir do momento que a pessoa faz a inscrição no sentido de fazer parte da nossa academia tem de se fazer acompanhar de um justificativo médico.

Quais são as suas principais referências nesta arte?

Se tiver internacionais, pode nos dizer… Só tenho nacionais. Anderson Gouveia, Yuri Alexandre (meu mestre), Evandra Pinheiro e Vedeza Zacarias. São essas as pessoas que mais aprecio.

Ainda se lembra da sua primeira luta? Como foi?

Já não me lembro! Foram muitas as lutas (risos).

Se fosse chamada a participar numa competição mundial neste momento qual seria a tua reacção?

Na verdade, não iria participar por causa do estágio em que estou submetida na escola.

Qual tem sido o feedback das amigas e dos amigos?

Epá! (Risos) É complicado, visto que é raro uma mulher praticar artes marciais, não é mesmo? Olha, às vezes chamam-me nomes. Lésbica, por exemplo, tem sido o termo mais sonante, por parte daqueles que acompanham o meu trabalho. Mas eu não ligo. Não me importo com isso, porque o meu mestre ensinou-me que não devemos dar atenção àquilo que as pessoas dizem de nós. Temos de estar focados nos treinos e que o Jiu-jitsu é bom, sobretudo para a nossa saúde.

Se tivesses que mudar algo nesta modalidade o que alterarias?

Se tivesses competência para o fazer, claro! Nada, eu acho que está perfeito assim.

Nunca lhe passou pela cabeça mudar de modalidade? Por exemplo, futebol, ténis, nunca?

Nunca! Porque quero ser uma profissional na área. Estou a encarar o jiu-jitsu com muita seriedade.

Conor McGregor, Katharina Araújo, dizem-lhe alguma coisa?

É o seguinte! Francamente, eu só acompanho as atletas da nossa academia. Esses nomes que acabou de citar agora não conheço. Mas parece-me que já ouvi falar deles.

Conte-nos, tem conseguido conciliar a escola e a academia?

Sim! Normalmente!

Quando ouve a palavra jiujitsu, qual é a primeira coisa que lhe vem na mente?

Terapia! Olha, eu pelo menos encaro o jiu-jitsu como uma terapia, porque quando tenho problema em casa, a única maneira de resolver a situação é vir até à academia. Só me sinto bem quando venho treinar.

Tem filhos? Deseja que algum dia o seu filho pratique essa arte?

Não, não tenho ainda! Mas pretendo ter, claro. Quando tiver desejo que o meu filho pratique o Jiu-jitsu. Eu aceitaria se ele/ela enveredasse para esta modalidade, sem problemas.

Quais são as dificuldades que vocês encontram?

São os patrocínios. Temos feito algum esforço. É nos campeonatos que aproveitamos para termos alguns patrocínios. Não conseguimos nenhum até ao momento