Peça “Mulondo branco” simboliza virgindade, paz e pureza da mulher

É um vaso de argila branca, com uma figura antropomórfica (cabeça de mulher indicando acção doméstica e o seu papel na sustentação da família)

O Museu Nacional de Antropologia expôs na Terça-feira, 16, nas suas instalações, na baixa da cidade de Luanda, a peça denominada “Mulondo branco”, com base no quadro do projecto “A Peça do Mês”, desenvolvido desde Agosto de 2016. O “Mulondo” é um vaso de argila branca, com uma figura antropomórfica (cabeça de mulher indicando uma acção doméstica e o papel da mulher na sustentação da família), com penteado típico e incisões na parte superior.

A peça exposta pertencente ao subgrupo Luvale, do Leste do país, do grupo etnolinguístico Cokwe, apresenta uma pega e um bocal para o vazamento de líquidos. É ainda utilizada como refrigerador e para a conservação de água. O vaso feito com argila branca simboliza a virgindade, pureza e a paz para os seus utilizadores. A bebida colocada nesse recipiente é geralmente oferecida aos nubentes na primeira noite nupcial.

Características

Uma das características da cerâmica luvale é ser polida e envernizada com uma pasta fina. Do ponto de vista artístico, esta cerâmica apresenta-se decorada com motivos zoomórficos, antropomórficos e geométricos. O director do museu, Álvaro Jorge, realçou que, do ponto de vista funcional, a peça exposta serve para simbolizar a vida nupcial, a primeira noite nupcial, momento em que a comunidade brinda com o recipiente, que simboliza os encantos da mulher, desde a beleza, maternidade e como ser conhecedora dos valores readicionais. O responsável avançou ainda que existem outros tipos de Mulondo, tendo sublinhado que, apesar do facto, o povo Luvale é o único que trabalha com a cerâmica branca. “A cerâmica é uma actividade praticada em todo o país, essa é caracterizada pelo povo Luvale. A nível do povo do Leste de Angola, são os que melhor trabalham  com a cerâmica, em termos de decoração, polimento, tendo sido classificados por estudiosos como a melhor cerâmica produzidas a nível do continente africano”, explicou.

Confecção

Segundo consta, os vasos desse grupo etnolinguístico, têm características excepcionalmente raras e revelam, de certo modo, as habilidades técnicas mais avançadas do oleiro: com a cor preta, o polimento, as decorações, o envernizamento que os distinguem de outros e o luxo dos seus utilizadores. As técnicas de fabricação desse utensilio são variadas e estendem- se por quase todo o país. São técnicas empregues para a coloração e impermeabilização dos vazos, para a decoração em diferentes linhas paralelas, zigue zague, triangulares e semicirculares. A cerâmica angolana é essencialmente utilitária, havendo casos especiais para cultos e ritos.

No país

Regista-se a fabricação e o uso de objectos de cerâmica, conhecido como “Omolindi” (pote em Helelo), “Ombya yo tuma” (panela de argila em umbundo), “kinzu kya tuma”, (panela em kikongo), “imbya utuma” (panela em kimbundu) e “ndeho ya uma” (panela em Côkwe), entre outros termos. A cerâmica angolana, que é feita manualmente ou torneada à mão, manipula-se sobre uma trincha de fibra vegetal, num fundo velho de um pote ou numa simples folha de árvore larga e seca. Assim, a arte da cerâmica é exercida principalmente pelas mulheres e a cerâmica artística, por regra é exercida por homens.

Peça do mês

O projecto tem como objectivo divulgar as peças existentes no museu, bem como propagar a sociedade a sua importância como património cultural e nacional, função social, discrição, origem e cativar os cidadãos a visitarem o espaço. Desde o arranque do projecto em Agosto de 2016 foram expostas mais de 10 peças, tendo começado com a “Pedra de Hiroshima”, “lilweka”, “luena”, “o Pensador” (Kuku Kalamba), “Ndemba”, “Kiela”, “Kikondi”, “mulondo” e “Cihongo” (txihongo), “Kijinga”, Heholo”, “mintadi, mufuka” e “mukwale”” Desde o seu arranque atraiu mais de três mil visitantes. trata-se de estudantes do ensino primário e secundário, que têm o projecto como complemento no programa escolar e turistas nacionais e estrangeiros (maior parte franceses e cubanos).