Falta de registo civil dificulta apoio às pessoas com deficiência

Dos 650 mil deficientes que o país tem, apenas 160mil (24,6%) dispõem de registo civil, segundo dados da Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA)

A falta de registo civil tem dificultado o sistema de apoio às pessoas com deficiência, revelou ontem ao OPAÍS o presidente da Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA), Silva Etiambulo. Segundo o líder associativo, dos 650 mil deficientes que o país tem, apenas 160mil dispõe de registo civil.

Já os restantes e os seus dependentes seguem com identidade desconhecida, situação que tem criado grande embaraços na hora de canalizar os apoios prestados pelos órgãos do Governo, bem como de outras forças da sociedade civil.

O responsável deu a conhecer que, por falta de registo, muitos filhos de pessoas com deficiência não conseguem estudar ou aprender uma profissão porque não dispõem de documentos que atestem a sua idade, naturalidade e outras informações indispensáveis a integração social e comunitária do individuo.

De acordo com Silva Etiambulo, por orientação do Governo há já em curo um programa nacional de registo civil aos deficientes de guerra e seus familiares que está a ser levado a cabo, sobretudo nas comunidades onde se regista o grosso de pessoas necessitadas, como no Luau, Cazombo e Andulo.

Porém, apesar do programa ser antigo, o presidente da ANDA disse que ainda são enormes as dificuldades devido à insuficiência de meios técnicos e humanos, sobretudo neste momento de crise que o país está a viver.

Segundo ainda Silva Etiambulo, por falta de registo civil muitos deficientes, na hora de receberem os apoios, fazem-se passar por outra pessoa e acabam por complicar o processo de distribuição dos produtos que são entregues mediante o número de necessitados.

“Essa situação nos remete a redobrar o esforço. Mas tudo seria mais fácil se tivéssemos todos registados. É preciso que as administrações e conservatórias tenham programas específicos de apoio ao registo das pessoas com deficiência”, apontou.

Deficientes que passam fome no Cuando Cubango serão acudidos Por outro lado, Silva Etiambulo deu a conhecer que está a ser preparada uma grande caravana de ajuda que, nos próximos dias, vai socorrer os mais de 500 deficientes que vivem isolados e passam fome no Cuando Cubango.

Tal como noticiou o OPAIS, numa das suas edições, é um total de 517 deficientes de guerra que vivem isolados e em condições precárias na aldeia de Cacela, bairro 11 de Novembro, a 96 quilómetro da cidade de Menongue.

Porém, para acudir a essas pessoas, Silva Etiambulo fez saber que estão a ser preparados camiões com bens alimentares, kits para a agricultura, fertilizantes e outros produtos que vão ajudar na sobrevivência daquelas famílias e assim garantir o seu sustento.

Silva Etiambulo lembrou que, dos 517 deficientes, a maior parte é de chefes de famílias e passa por dificuldades extremas, com a falta de escolas, hospitais, comidas e até mesmo vestuário, tendo em atenção que a maioria do grupo tem deficiência de elevado grau, sendo que muitos chegam até mesmo a depender de terceiros para fazer necessidades básicas.

“Estamos a preparar os camiões e daqui a dia vamos partir. Como eles vivem próximo de um rio, vamos fornecer os kits de pesca e agricultura para que criem a auto-suficiência. Vamos ajudá-los, mas não podemos permitir que continuem a depender de ajudas.

Precisam ser independentes, apesar da deficiência. É essa mensagem que vamos levar para esses nossos irmãos”, assegurou.

Neste momento, a Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA) controla, de forma directa, um total de 57.922 deficientes entre ex-militares e deficientes de âmbito natural.

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