Daesh reivindica atentados no Sri Lanka que já matou 321 pessoas

Relatório entregue ao governo do Sri Lanka mostra como um dos principais suspeitos dos ataques começou a publicar nas redes sociais conteúdos de caráter extremista depois da morte de 50 muçulmanos na Nova Zelândia.

Número de mortos no Sri Lanka subiu para 321. Primeiros funerais já começaram

Identificado o grupo islâmico responsável pelo ataque no Sri Lanka
O autoproclamado Estado Islâmico reivindicou os atentados no Sri Lanka. A informação foi avançada esta terça-feira pelo próprio grupo extremista, através da agência de propaganda AMAQ, depois de o ministro da Defesa do Sri Lanka ter afirmado que os ataques que no domingo de Páscoa mataram pelo menos 321 pessoas foram uma retaliação pela morte de 50 muçulmanos em Christchurch, na Nova Zelândia.

A tese tem por base informações dos serviços secretos locais que circularam por membros do governo nas semanas anteriores aos atentados. O relatório mostra como um dos principais suspeitos dos ataques começou a publicar nas redes sociais conteúdos de caráter extremista na sequência do tiroteio de Christchurch, em março.
O número de mortos nos atentados subiu para 321, dos quais pelo menos 45 são crianças
“Estes ataques foram executados como retaliação pelos ataques contra muçulmanos em Christchurch”, sublinhou esta terça-feira o ministro da Defesa do Sri Lanka, numa sessão especial do Parlamento destinada a analisar os atentados de domingo. Ruwan Wijewardene anunciou ainda que o número de mortos nos atentados subiu para 321. Entre as vítimas mortais há pelo menos 45 crianças, segundo informações divulgadas esta terça-feira pelas Nações Unidas.
No entanto, investigadores citados pelo Guardian lembram que a escala dos ataques e a sofisticação do equipamento usado obrigariam a meses de preparação, enquanto o tiroteio na Nova Zelândia aconteceu apenas há cinco semanas.

Os diretores das quatro agências de segurança do Sri Lanka foram alertados para a possibilidade de um ataque contra igrejas no país a 11 de abril, semanas antes dos atentados que causaram pelo menos 321 mortos. O vice-inspetor da polícia, Priyalal Disanayaka, escreveu uma carta dirigida aos diretores de quatro agências de segurança do Sri Lanka a pedir que “prestassem atenção extra” aos lugares e aos vip’s sob a sua alçada.
O relatório dos serviços de informações, que foi anexado à carta, indica que o grupo Towheed Jamaar Nacional estaria a planear para breve um ataque suicida “em algumas igrejas importantes”. Apesar do alerta, desconhece-se se foram tomadas algumas medidas antes dos atentados na Páscoa contra hotéis e igrejas.
Na sequência dos ataques, as autoridades do Sri Lanka aumentaram ainda mais as medidas de segurança. O país está sob estado de emergência. Os funcionários dos correios já anunciaram que não vão aceitar encomendas pré-embaladas. O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, declarou um dia de luto nacional para esta terça-feira, dia em que começaram os funerais das vítimas.
As oito explosões de domingo mataram, pelo menos, 321 pessoas, entre as quais um português residente em Viseu, e provocaram mais de 500 feridos. O número de pessoas detidas relacionadas com os ataques também aumentou para 40, disse à agência Efe o porta-voz da polícia Ruwan Gunasekera.
O responsável da polícia afirmou que as autoridades acreditam que os ataques atribuídos a um grupo extremista islâmico local, o National Thowheeth Jama’ath, terão sido apoiados internacionalmente.
A capital do país, Colombo, foi alvo de pelo menos cinco explosões: em quatro hotéis de luxo e uma igreja. Duas outras igrejas foram também alvo de explosões, uma em Negombo, a norte da capital e onde há uma forte presença católica, e outra no leste do país. A oitava e última explosão teve lugar num complexo de vivendas na zona de Dermatagoda.
As primeiras seis explosões ocorreram “quase em simultâneo”, pelas 08.45 de domingo (03.15 em Portugal), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais.

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