O desfile da barbárie

Será que eu estou a ver o filme errado da vida? Será que os políticos africanos, as sociedades africanas estão noutra sala? As imagens que tenho visto, de requintada barbárie, algumas da África do Sul e outras de outros países, são absolutamente reveladoras de um primitivismo impensável no nosso tempo. Tal como o é o silêncio político na sua cumplicidade. Pessoas são queimadas vivas por turbas sem cérebro, apenas por terem transposto uma fronteira e terem escolhido outro país para viver. A saída dos estrangeiros negros da África do Sul resolve o problema do desemprego naquele país, como alegam os milhares de assassinos envolvidos? A morte desfila perante os nossos olhos nas redes sociais, os “animais” (com respeito aos de quatro patas”)são torturados, os homens filmam o “festim” e partilham. Ninguém em África tem coragem para apelar a um boicote de produtos da África do Sul ou de qualquer outro país que nada faça para acabar com as matanças? A União africana acha normal? A SADC acha normal? Os cidadãos africanos comuns acham normal? No Norte de África a escravatura é já aceite como apenas mais um aspecto da vida e os políticos africanos desfilam nos seus fatos caros, com sorrisos cúmplices, ou talvez até incitadores. E, pior, nem dos intelectuais vem indignação que se faça ouvir.

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