Morte de 17 pessoas em minas de ouro este ano preocupa Governo Provincial da Huíla

Ao todo, são 17 pessoas que perderam a vida de Fevereiro a Abril, na sequência de desmoronamentos de terras em minas clandestinas de ouro no município de Chipindo, Província da Huíla

POR: João Katombela, na Huíla

Os últimos acontecimentos datam de 19 de Março do ano em curso, em que três cidadãos nacionais perderam a vida na sequência de um desmoronamento de terra numa mina de ouro situada numa localidade que dista 20 quilómetros da sede municipal, os dois primeiros deram-se nos meses de Fevereiro e Março em que morreram uma e 13 pessoas, respectivamente. A situação está a preocupar o Governo Provincial da Huíla, que fez deslocar ao município do Chipindo uma equipa chefiada pelo vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, Nuno Mahapi Ndala.

Na comitiva, que tem como objectivo identificar as potenciais zonas de garimpo do minério, estavam igualmente integrados o delegado do MININT, Comissário Arnaldo Manuel Carlos, bem como o Delegado Provincial do SINSE. No município de Chipindo, a 463 quilómetros da cidade do Lubango, a comitiva manteve um encontro com as autoridades tradicionais e alguns membros do Conselho de Auscultação e Concertação Social da municipalidade. Neste encontro, as autoridades tradicionais manifestaram a sua preocupação, tendo em conta o número de pessoas que já perderam a vida na exploração ilegal de ouro.

Para se dar cobro a esta triste realidade provocada pelo elevado índice de pobreza no seio dos habitantes do Chipindo, as autoridades tradicionais clamam pela instalação de empresas oficiais na exploração do minério, de forma a empregar o maior número possível de jovens. “O que nós queremos é que haja uma empresa oficial autorizada pelo Governo, que possa criar empregos para as pessoas que acorrem para estas práticas, porque eles só fazem isso por falta de emprego” disse, Laurindo, membro do conselho. Entretanto, o administrador municipal do Chipindo, Hélder Lourenço, garantiu que já existe uma empresa oficial que, dentro de pouco tempo, dará início às suas actividades de exploração. Hélder Lourenço acrescentou que existem igualmente muitos pedidos de licenciamento de empresas que querem operar neste sector no município, aguardando apenas pelas tramitações legais no Ministério de Geologia e Recursos Naturais.

“Existe uma empresa que possui uma licença de exploração e dentro de sensivelmente um mês começa a sua actividade. Trata-se da empresa DEIMANG, de direito angolano”, explicou. Por outro lado, o responsável administrativo acrescentou que o garimpo de ouro no município é praticado por indivíduos vindos de todos os pontos do país, que realizam esta actividade de forma ilegal e sem o mínimo de segurança. Já o vice-governador provincial para o sector Técnico e Infra-estruturas, pediu aos sobas do Chipindo a manterem-se vigilantes nas áreas de sua jurisdição e denunciar qualquer acto que vise a exploração de ouro, de forma a evitar mais acidentes com vítimas mortais. A extracção do minério na municipalidade data de há muito tempo. Em 1975 registou- se a paralisação da actividade extractiva. Ao todo, são 17 pessoas que perderam a vida de Fevereiro a Abril, na sequência de desmoronamento de terras em minas clandestinas de ouro no município de Chipindo, Província da Huíla.

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