Líbia não tem perspectiva de estabilização, devido a interferência externa

As perspectivas de estabilização da situação na Líbia em breve não poderão ser exibidas devido ao facto de que continua activa a intervenção estrangeira nos assuntos internos de um país que, em qualquer caso, não contribui para a normalização da situação. esta opinião foi expressa pelo acadêmico vitaly Naumkin, supervisor de pesquisas do Instituto de estudos Orientais da Academia Russa de Ciências, numa conversa com o correspondente da TASS

O académico lembrou que a principal razão para desestabilizar a situação na Líbia é a intervenção do Ocidente, em resultado da qual foi aprovada a resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1973, que foi usada como base para uma intervenção militar no conflito líbio pelos países ocidentais e aliados árabes. “O Ocidente interveio inadmissivelmente nos assuntos internos da Líbia, destruiu a soberania, desorganizou a situação específica do Estado líbio. O Ocidente mais uma vez mostrou que quebrar a soberania e interferindo em assuntos internos, cria a base para o caos de longo prazo e destrutivo, e de prosseguimento do conflito”.

Segundo o académico, o que hoje está a acontecer na Líbia é o resultado natural da destruição do Estado que existia ao tempo de Kaddafi. Para Vitaly Naumkin, a ofensiva em Tripoli que começou em 4 de Abril, pelo comandante do Exército Nacional da Líbia, marechal Khalifa Haftar, não foi capaz de resolver o conflito na Líbia e causar a estabilização da situação no país. “É hora de pôr ordem na Líbia e se considerar a tendência geral, que é o facto de que é preciso fortalecer a soberania, a necessidade de levar ao poder os grupos fortes que são capazes de restaurar a ordem, prosseguiu o especialista. Apesar de tudo isso, o legado de completa destruição, o caos e a desorganização permitem duvidar que através da realização de uma operação militar se pode resolver um conflito interno muito grave, ademais num país com vários actores políticos.

“O representante especial do Secretário-geral da ONU na Líbia, Hasan Salame, é um diplomata muito experiente que tem um bom roteiro e um bom plano de regularização da situação, tendo sugerido a realização de uma conferência de âmbito nacional”, observou. De repente, no último momento, pouco antes da convocação da conferência todos os planos falharam e houve uma tensão com muito alto nível de violência, confrontação das partes e tentativas de uso da força para resolver o conflito”. “Me parece apesar de que para Haftar tenha forças muito poderosas, o apoio ao nível internacional e dentro do país não é capaz de estabilizar a situação na Líbia”, acrescentou o perito. Vitaly Naumkin acredita que em meio ao confronto de posições e de interesses de Estados estrangeiros envolvidos no processo de resolução do conflito na Líbia, o papel da Rússia parece muito convincente.

“Nós vemos o confronto no Mundo Árabe entre Estados: entre o Egipto, Emiratos Árabes Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e a Turquia e o Qatar, do outro, apontou o académico. É notável o confronto dos países europeus que funcionam como se estivessem a trabalhar no mesmo sentido, mas observamos uma grande contradição entre a França e a Itália. Tudo isso não inspira nenhum optimismo”. “A política do nosso país dirigese ao suporte da reconciliação nacional, esforços na criação de uma estrutura de coalizão que permitiria estabelecer o controlo sobre todo o território do país, e, talvez, minimizaria a intervenção de actores externos que se fixam activamente hoje”, explicou o perito.

“A Rússia apoia o plano de regulação do conflito líbio proposto pelo representante especial do SG da ONU na Líbia, Hasan Salame, e desenvolve activamente relações com os vários actores”, acrescentou Naumkin. Além disso, a Rússia e os países árabes concordaram em continuar a trabalhar no interesse de resolver a situação na Líbia. Sobre isso, falou o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, numa conferência de imprensa depois dos resultados de uma sessão ministerial do fórum russo-árabe de cooperação. A Rússia e os Estados Árabes também apoiam os esforços do representante especial do Secretário- geral da ONU na Líbia, Hasan Salame, na implementação do roteiro político por ele desenvolvido em prol da normalização da situação neste país. “Temos uma tarefa comum que é ajudar os líbios a superar os desentendimentos e vir a estabilizar planos de reconciliação nacional. Para este fim, a Rússia trabalha com todas as forças políticas da Líbia, sem excepção”, destacou o chefe da diplomacia russa.

A realização de uma conferência com a participação das partes antagónicas esteve agendada para 14 e 16 de Abril, em Gadamas, mas depois da escalada do conflito na Líbia, a ONU anunciou o seu adiamento por tempo indefinido. Lembre-se que após a queda do regime de Muammar Kaddafi, a Líbia foi desintegrada. O Oeste tenta manter sob seu controlo a cidade de Tripoli reconhecido pela comunidade internacional e o Governo de Concórdia Nacional sob a liderança de Fayez Saradzh. O Oriente- prioridade do marechal Khalifa Haftar, no seu território, em Tobruk, se reúne a Câmara dos Representantes e nele opera o seu “governo provisório”. Em meados de Abril estavam a começar, na Líbia, os trabalhos de uma conferência nacional sob a égide da ONU, onde supunha-se chegar a uma solução sobre os princípios de normalização da situação no país.

No entanto, a ofensiva do marechal Khalifa Haftar em Tripoli, para “limpar a região dos terroristas” pôs a realização da conferência sob ameaça. Apesar da insistência do Secretário-geral da ONU, António Guterres, e o seu enviado especial na Líbia, Hasan Salame, que naquele momento estavam na Líbia, o marechal Khalifa Haftar recusouse a cessar os combates e avistar-se com Fayez Saradzh. Em palavras, a posição da comunidade internacional sobre a Líbia é única. Todos defendem a busca de soluções de compromisso e apoiam o plano da ONU para resolver o conflito. No entanto, as simpatias ainda são diferentes. O Egipto, Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita apoiam o marechal Haftar, mas não o governo de Sa-radzh que se une com o movimento “irmãos muçulmanos” conhecidos por eles como terroristas.

O Qatar e a Turquia, ao contrário, estão mais próximos de Tripoli e Misrata, cujas forças chegaram para ajudar Saradzh. Aqui e em conferência de imprensa com Sergey Lavrov, o ministro egípcio acentuou que o Exército Nacional da Líbia é um elemento importante para garantir a estabilidade e a segurança na Líbia. Ao mesmo tempo, Cairo pede a todas as partes do conflito mostras de contenção. O conflito dos EAU, Egipto e Arábia Saudita com o Qatar tem um efeito significativo sobre a situação na Líbia. Os países Ocidentais também estão do lado de forças opostas. A França comunica-se com Khalifa Haftar, e a Grã-Bretanha é acusada por adeptos de Haftar de dar suporte aos islamistas. Tente implicar na oposição “quem para quem” e a Rússia. No Ocidente, sobretudo na imprensa britância, aparecem constantemente publicações sobre alegada ajuda militar da Rússia a forças de Haftar, em particular, envio para a Líbia de mercenários da empresa militar privada de Wagner. No entanto, apesar de que Khalifa seja hóspede frequente em Moscovo, a Rússia acentua que permanece em contacto com forças diferentes- Benghazi, Tripoli e Misrata.

Em particular, esteve em Moscovo entre 8 e 10 de Abril, para participar na Expo-Arábia e numa reunião do conselho de negócios russo-árabe, uma delegação considerável de homens de negócios da Líbia, onde houve vários ministros de Saradzh. A Rússia está interessada no equilíbrio de diferentes forças políticas na Líbia, mas o mais importante é eles entenderem-se entre si e Moscovo aceitará qualquer resultado. “Nós defendemos o facto de que não havia tentativas de unilateralmente apontar culpados”, afirmou durante uma conferência de imprensa no Cairo, Sergey Lavrov em alusão às constantes acusações contra a Rússia de apoio a Khalifa Haftar. Contudo, quanto a pessoas culpadas, o ministro lembrou: “a razão da crise está no que se fez por representantes da OTAN com este país em 2011”. Trata-se da intervenção da força no conflito na Líbia para derrota do regime de Muammar Kaddafi. “E desde então, ela (Líbia) se transformou num estado destruído e num buraco negro, através do qual vão para o Sul os terroristas, o contrabando de armas e para Norte- fluxos de imigrantes ilegais”- apontou Sergey Lavrov.

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