Malária mata 90 pessoas em três meses no Lubango

O Hospital Municipal do Chipindo regista diariamente 250 casos de malária, facto que tem preocupado as autoridades sanitárias locais, já que, em três meses, 90 pessoas perderam a vida, principalmente crianças

POR: João Katombela, na Huíla

O director municipal da Saúde no Chipindo, Candeiro Caivala, informou que os níveis da doença no município tem crescido em função da falta de saneamento básico e não uso de mosquiteiros. É preocupante, porquanto morre uma pessoa diariamente, no município de Chipindo, por malária. O responsável informou que de Janeiro a Abril foram registado um total de 8436 casos positivos de malária. “É praticamente um surto de malária, que estamos a viver, a ver pelos dados estatísticos. Infelizmente, diariamente uma pessoa perde a vida com malária, numa das unidades sanitárias do nosso município”, disse. Já o director clínico do Hospital Municipal do Chipindo, Egas Jacob, revelou que por dia são atendidos de 200 a 250 casos de malária, com maior incidência em crianças menores de 15 anos de idade.

Daquele número atendido, 15 terminam em óbitos, pelo facto de muitos dos casos chegarem em estado avançado da doença. Por outro lado, o responsável clínico disse existirem muitas dificuldades no combate à doença, naquele município, que vão desde a falta de medicamentos até aos reagentes para os laboratórios. O director clínico do Hospital Municipal do Chipindo disse ainda que os meses de Fevereiro e Março foram os mais críticos, pois registaram mais casos de malária que terminaram em óbitos. A presença de capim e água estagnada junto a algumas residências são alguns dos factores apontados por Egas Jacob como causa que contribuem para a propagação da doença através da proliferação de mosquitos.

Falta de medicamentos preocupa familiares de pacientes

A falta de medicamentos no Hospital Municipal do Chipindo está a preocupar os familiares de pacientes internados naquela unidade sanitária. Segundo contam alguns familiares ouvidos pela nossa reportagem, do Hospital Municipal só saem receitas para a aquisição dos fármacos no mercado informal. Alberto Nhime está com a sua filha internada a uma semana e apesar de ter tido um bom atendimento médico não diz a mesma coisa quanto ao atendimento medicamentoso. “Aqui somos bem atendidos, o problema é que só passam receitas, e muitas vezes não temos dinheiro para comprar medicamentos. Como se não bastasse, aqui, no Chipindo, os medicamentos são muito caros”, lamentou. Já Alberta Tchomessa, que tem as duas filhas internadas por malária, informou que os medicamentos comprados no mercado informal, nem sempre apresentam boa qualidade.

“Aqui o medicamento é  mesmo comprar na praça e num preço muito alto porque aqui não tem farmácias, se tiveres sorte é que te dão medicamentos no hospital”, contou. Apesar do elevado número de mortes, o director Municipal da Saúde no Chipindo garantiu que a situação está controlada pelas autoridades sanitárias locais. A Direção Municipal da Saúde recebe mensalmente cerca de 4 milhões de Kwanzas, que no entender de Candeiro Caivala é ainda um valor irrisório para cobrir as necessidades do sector. A rede sanitária do município é composta apenas por sete hospitais e para a transferência de pacientes graves o município do Chipindo conta com quatro ambulâncias. O município do Chipindo acolheu o acto central das celebrações do dia dedicado ao combate da malária, na província da Huíla, assinalado ontem 25 de Abril. Para saudar a data foram distribuídas 6 mil redes mosquiteiro para a população da localidade.

leave a reply