Morre-se com e sem água

Há algumas semanas, OPAÍS publicou uma reportagem no centro de saúde da Fubu, um bairro de Luanda, em que passou quase despercebido um pormenor importantíssimo e que seria bom que a ele prestassem mais atenção os governantes deste país. Quando se fala da ligação entre água potável, salubridade do meio e saúde, é bom que as pessoas não julguem que isto é apenas teoria. Naquela reportagem ficamos a saber que a sarna, afinal, pode também ser uma doença de época em Angola. Com efeito, dizia a directora, que na Estação das Chuvas os casos de sarna caem drasticamente, e a razão é simples: a chuva lava. Melhor dito, quando chove, nas áreas em que não há água canalizada, as pessoas aproveitam a água da chuva para o banho e outros gestos de higiene, das roupas, utensílios domésticos, etc.. É um pouco como a diz canção: “só toma banho quando chove…” Pode-se bem dizer que estamos a viver momentos em que se morre em Angola por falta de higiene, não por não haver água, mas por esta ser muito mal gerida e por não ser distribuída à população. Somos um país rico em termos hidrográficos, mas em que há gente a morrer de fome por falta de água das chuvas no Sul e há gente a morrer de doenças por falta de água para a higiene no Centro e no Norte, onde chove.

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