BNA em Benguela quer banca comercial a cumprir instrutivo sobre créditos

Gonçalo Ventura Rita adverte que, quando o banco regulador emite uma regulamentação ao sistema financeiro, aos bancos comerciais cabe cumprimento obrigatório

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O delegado Regional Oeste do Banco Nacional de Angola em Benguela, Gonçalo Ventura Rita, acredita que, até ao final do ano, os bancos comerciais deverão cumprir rigorosamente com o instrutivo do banco emissor que obriga a que estes disponibilizem dois por cento dos rendimentos obtidos durante o ano para o crédito. As declarações do responsável surgem numa altura em que empresários, em Benguela, queixam-se daquilo a que chamam de “excessiva” burocracia e compadrio na concessão de crédito por parte de determinados bancos comerciais.

Segundo o empresário do sector agro-pecuário, Pedro Ngalã, é impossível falar de investimentos, quando se tem uma banca que não olha para a necessidade da classe empresarial. Conhecedor do sector agrícola, Ngalã denuncia que determinados bancos comerciais dão pouca credibilidade ao empresariado do sector agrícola, por alegadamente a actividade que desenvolvem ser “de risco”, contrariando, deste modo, as políticas do actual Governo de aposta na agricultura. “Há cunha no crédito, e o grande problema são também as tais garantias que os bancos pedem”, lamentou, afirmando que os bancos beneficiam uns em detrimento de outros. Com esse comportamento, adianta que os bancos estarão muito aquém do cumprimento das normas estabelecidas pela entidade reguladora, no caso o BNA.

Em declarações à imprensa no mercado das frutas à margem da campanha “Despertar a consciência do dinheiro”, circunscrita ao programa de inclusão financeira do BNA, o responsável do banco regulador adverte que quando a sua instituição emite uma regulamentação ao sistema financeiro, aos bancos comerciais cabe o seu cumprimento, porque “o seu exercício é contínuo, quer o de acompanhamento, quer o de fiscalização e de supervisão”. De acordo com o aviso do BNA, a que o Novo Jornal teve acesso, apresentado no princípio de Abril deste ano às associações empresariais, os bancos comerciais são obrigados a disponibilizar pelo menos 2, 0% do valor total do activo registado no balanço do ano precedente de crédito à taxa definida. Entretanto, de acordo com a mesma fonte, os bancos que não atingirem a meta estabelecida deverão justificar detalhadamente as razões para tal e referir o plano de acção para o seu cumprimento.

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