‘País pára e dá um basta’ aos acidentes de trabalho

‘País pára e dá um basta’ aos acidentes de trabalho

Por via de uma marcha de solidariedade, que ficou registada com um minuto de silêncio, trabalhadores de Luanda, Namibe, Malanje e Lunda-Sul pararam para dar um basta aos acidentes de trabalho e doenças profissionais, ontem, na cidade capital. É ‘um basta’ que pretende ser definitivo, pelo facto de os acidentes de trabalho continuarem a incapacitar e a dizimar vidas de dignos profissionais angolanos que tinham ainda muito para dar em prol do desenvolvimento económico e social do país. Os números são evidentes e causam repulsa.

Só em 2018, segundo dados voltados a confirmar ontem em Luanda (onde mais de duas mil pessoas saíram às ruas), pelo ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Jesus Faria Maiato, a nível de todo o país, os serviços da Inspecção Geral do Trabalho (IGT) registaram cerca de 1500 acidentes de trabalho. Deste total, 50 são acidentes que resultaram em mortes. Porém, com esses números, o governante fez saber que o país tem uma média de três mortes por mês derivadas de acidentes de trabalho e cerca de 450 acidentes graves, que são acidentes que deixam os trabalhadores incapacitados para continuarem a prestar os seus trabalhos.

Ontem, muita gente saiu às ruas para se solidarizar com as vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais, com a principal missão de sensibilizar e despertar os empregadores e os trabalhadores. Aos empregadores, as centenas de almas que saíram às ruas exigiram a criação de condições adequadas para a prestação de trabalho. Já aos trabalhadores o apelo ficou pela necessidade de obedecerem ao cumprimento rigoroso das normas de segurança e saúde no trabalho. “Em representação de todos os trabalhadores angolanos, estamos aqui com o intuito de dizer que a segurança e saúde no trabalho é um elemento fundamental e estrutural para a paz social, para o trabalho digno”, frisou Jesus Faria Maiato, tendo acrescentado ainda que “devemos todos nós ser agentes e promotores da qualidade na prestação de trabalho, e prevenir, sobretudo, os acidentes”.

Lunda-Sul com mais de cinquenta multas já aplicadas

As mais de 500 pessoas que acorreram ao acto marcharam entre a Avenida 4 de Fevereiro, Rua da Liberdade até ao largo primeiro de Maio. Naquele ponto do centro da cidade, ficou-se a saber, por via do chefe dos serviços locais da Inspecção Geral do Trabalho, Abel Fidel, que nos últimos quatro meses deste ano já foram aplicadas 52 multas na Lunda-Sul, a dez empresas, por estas não obedecerem os pressupostos da lei no que à saúde e segurança no local de trabalho diz respeito. Para a especialista em matéria de saúde e segurança, Carla Magno, as dificuldades de emprego a nível daquela região a Leste do país fazem com que muitos trabalhadores não reportam às autoridades as violações de que são vítimas no trabalho. Essa situação, frisou, acaba por comprometer os dados e a própria vida dos trabalhadores que, ao se calarem, são constantemente violentados no local de trabalho, fundamentalmente nas empresas ligadas ao sector da construção e mineração, por aí se registarem maiores casos. De forma a baixar os números, Carla Magno defende uma aposta forte na sensibilização junto das entidades empregadoras. “Para isso é preciso que haja maior aproximação entre as empresas e os órgãos de inspecção. Caso contrário, não estaríamos aqui a fazer nada”, notou.

Mais de mil pessoas nas ruas de Malanje

Já em Malanje, mais de mil pessoas participaram na marcha em memória às vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais, que contou com a presença de várias entidades empregadoras e da sociedade civil. A marcha teve o lema “Segurança, Saúde e o Futuro do Trabalho”, e durante o acto chamou- se a atenção para a importância do seguro de acidentes de trabalho e de doenças profissionais. Nos últimos cinco anos, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) local calcula que foram registados 570 trabalhadores vítimas de acidentes no trabalho, dos quais 100 foram fatais. Os sectores que mais têm causado vítimas continuam a ser os da Construção Civil e Indústria.