PSOE de Sánchez vence e coligação de esquerda supera a de direita

O PSOE foi o partido mais votado com 28,7% dos votos, nas eleições gerais realizadas este domingo, em Espanha. Conjunto da direita não conseguiu alcançar a maioria absoluta apesar da forte subida do Vox (extrema-direita).
Os dados finais mostram que o PSOE elegeu 123 deputados (28,7% dos votos) no Congresso dos Deputados, o PP (Partido Popular, direita) 66 (16,7%), o Cidadãos 57 (15,85%), o Unidas Podemos (extrema-esquerda) 35 (11,95%) e o Vox 24 (10,2%).
No discurso de vitória, o líder do PSOE, Pedro Sánchez, expressou que a vitória do partido socialista nas eleições legislativas espanholas transmitiu a “mensagem perentória” à Europa e ao mundo “que se pode ganhar ao autoritarismo”.

Discursando da sede do PSOE, em Madrid, Pedro Sánchez disse que os resultados mostraram que o partido “não é muleta” do Partido Popular (PP, de direita).
Durante a sua intervenção, várias vezes interrompida por gritos de apoiantes, o candidato socialista e atual presidente do Governo espanhol, prometeu “respeitar a Constituição” e contribuir para a “convivência política”.
“Trata-se de ganhar as eleições e de governar Espanha (…). Vamos governar Espanha!”, afirmou perante milhares de apoiantes, acrescentando que o governo socialista será de “todos os espanhóis”.
Sánchez prometeu um Governo “pró-Europa, para fortalecer a Europa”, e construir “uma Espanha plural”, assumindo como prioridades o combate à injustiça social e à corrupção.
“Não queremos o retrocesso, queremos um país que avance”, disse.
Para o secretário-geral do PSOE, as eleições de hoje demonstraram que Espanha “tem uma democracia sólida” e que acedeu “em defesa do seu futuro e de mais direitos e liberdades”.
O PSOE foi hoje o partido mais votado nas eleições legislativas espanholas, embora sem obter a maior absoluta, ao eleger 122 deputados, quando estão apurados 99,5 por cento dos votos.A futura composição da câmara baixa das Cortes Gerais espanhola está assim repartida por estes cinco partidos e por outros regionais mais pequenos, como os separatistas catalães e os nacionalistas bascos.
Como partido mais votado, o PSOE vai tentar encontrar o apoio de outros para tentar alcançar uma maioria absoluta de 175 mais um num total de 350 deputados.
A tarefa não vai ser fácil, mesmo que à partida conte com o apoio do Unidas Podemos, o seu principal parceiro que o apoiou no parlamento desde junho de 2018, quando conseguiu afastar o Governo do PP.
O PSOE teria, nomeadamente, de se entender com os partidos independentistas catalães – Esquerda Republicana da Catalunha com 15 deputados e Juntos pela Catalunha com sete – os mesmos que ajudaram Pedro Sánchez a chegar a primeiro-ministro, mas que em fevereiro foram os principais responsáveis pela sua queda e pela marcação das eleições.
Os socialistas poderão também explorar uma eventual coligação pós-eleitoral com o Cidadãos, apesar dos dois partidos terem, antes das eleições, repetido que não se iriam aliar, preferindo associar-se a movimentos dentro do seu próprio bloco político, um de esquerda e o outro de direita.
As eleições ficam ainda marcadas pelo resultado do conjunto de partidos de direita que não conseguiram repetir a maioria absoluta conseguida na região da Andaluzia, em dezembro passado, que expulsou o executivo regional socialista no poder há 38 anos.
VOX passa de zero a 24 deputados
A extrema-direita do Vox conseguiu a subida eleitoral que as sondagens já previam, dos 0,2% da votação alcançada em junho de 2016, sem eleger nenhum deputado, consegue agora 11,0% e 24 lugares no parlamento.
As eleições ficam também marcadas por uma acentuada descida do PP, o partido que até há pouco alternava com o PSOE na condução do executivo, de 33,0% em 2016 para 16,7% agora.
O PSOE sobe dos 22,7% que obteve em 2016 para 28,8% agora (de 85 para 122 deputados), o PP baixa de 33,0% para 16,7% (137 para 65), o Unidas Podemos desce de 21,1% para 14,3% (71 para 42), o Cidadãos sobe de 13,1% para 15,8 (32 para 57) e o Vox de 0,2% para 10,2 (zero para 24).

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