Fome obriga membros da comunidade San a furtar alimentos

A fome na região Sul do país, que afecta os municípios dos Gambos e Chibia na província da Huíla, arrastou-se para o município de Quipungo, na Mupalala, uma parcela do território nacional onde encontramos membros da comunidade San. Muitos destes têm sido “obrigados” a furtar alimentos para não morrer de fome

POR: João Katombela, na Huíla

Na localidade de Mupalala, arredores da sede municipal de Quipungo, na província da Huíla, a fome está a castigar dezenas de famílias da comunidade San. Em época de Chuva, a natureza oferece alguns frutos silvestre, mas neste ano a realidade é diferente, por não ter chovido na região. Não houve maboque para alimentar mais de 200 famílias da referida comunidade. Na ausência dos maboques, (fruto silvestre da região de Quipungo) os adultos da comunidade San sentem- se obrigados a furtar alguns mantimentos de lavras abertas.“No tempo de maboque, nós comíamos este fruto, agora que não existe, muitos são obrigados a furtar em algumas lavras que estão abertas ou nalgumas hortas vizinhas”, disse José Malongo António, responsável da comunidade San.

O responsável desta comunidade acrescentou que em tempos idos a Administração Municipal havia prestado algum apoio com bens alimentares, que, embora não tenham sido suficientes, chegaram a minimizar o problema da fome que assola aquelas famílias.José Malongo António teme por consequências graves da fome, caso não se faça a devida intervenção das entidades competentes. “Se o Governo não nos apoiar com alguns bens alimentares e material de trabalho, uma vez que nós também podemos cultivar junto aos rios, poderá haver mortes na nossa comunidade”, afirmou.

Crianças fogem da escola por causa da fome

Além de alguns adultos estarem a ser empurrados para o roubo de alguns mantimentos, a fome está igualmente a afugentar as crianças da comunidade San das escolas. Sem adiantar o número de crianças em idade escolar que já não frequentam a escola por não terem nada para comer, o líder da comunidade explica que, por causa disso, os pais não os obrigam a ir estudar. “Os miúdos já não estão a ir à escola, e eu, como pai, não posso obrigar o meu filho a ir para escola com fome. E se ele cair no caminho? A realidade aqui é esta”, disse. Apesar da seca, o soba da localidade de Mupalala, Manuel Muahitila, informou que existem ainda na localidade alguns rios em cujas margens pode ser feita alguma produção e acudir muitas famílias da penúria. “Estamos a sofrer com muita fome aqui na localidade, mas estamos a pedir ao Governo que nos mande só um tractor para talhar os terrenos das margens dos rios, e ali podermos produzir couve e repolho, para alimentar as famílias”, recomendou.

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