Luna temprana

Quando os políticos falam da juventude angolana, mesmo os políticos jovens, tendem a esquecer o que signifi ca juventude, de facto. Falam dos jovens como entes acabados numa concepção ideológica qualquer, sem sentido, que tem provado ao longo dos anos ser mesmo desprovida de sentido.

Fala-se dos jovens apenas na vertente patriótica e partidária, exigindo deles sacrifícios e responsabilidades sobre algo que depois nem é posto sob sua guarda. O jovem, pensam os nossos políticos, são feitos para cumprir, obedecer e ser activista político com uma gravação enfi ada no cérebro e que tem de reproduzir vezes sem conta.

Resultado: este tipo de jovem é pior que os velhos, não se indigna, não é irreverente, não concebe o seu próprio mundo e muito menos luta por ele. Mas, fora dos discursos políticos há outro jovem, que alguns diriam alienado, aquele que junta uns trocos para apanhar um avião, em grupo, alugar quartos der hotel e ir até ao Lubango, até Benguela, até Luanda, ou onde for, para curtir um “Siga la Luna” organizado por Tri Xu, por exemplo, como aconteceu este fim-de-semana no Lubango.

Alienados e irresponsáveis? Não sei. Para mim são apenas jovens que vivem na sua própria idade, com as hormonas descontroladas, com energia a precisar de ser solta, com sonhos, com festa no sangue, o que não signifi ca necessariamente irresponsabilidade.

Se não fosse apenas a sua condição jovem, eu diria que TriXu os ajuda a alienar-se das amarras políticas. E, por outro lado, a diversão é uma indústria que move dinheiro que as talas partidárias não permitem ver.

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