PRODEL responsabiliza a Sonangol pelos “apagões” em Benguela

O Governo de Benguela admite que o fornecimento de energia eléctrica na província, sobretudo nos últimos dias, é bastante “deficitário”, devido ao fraco fornecimento de combustível

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

A empresa responsável pela Produção de Electricidade (PRODEL) culpa a Sonangol de fornecer combustível muito aquém do desejado para fazer funcionar o sistema de produção de energia eléctrica e, por conseguinte, pô-la à disposição da ENDE para a sua distribuição e comercialização. Nos últimos dias, a província de Benguela regista um nível acentuado de restrições no fornecimento de energia eléctrica. Determinados bairros chegam a ficar uma a duas semanas, ou até um mês, privados de energia, facto que deixa os cidadãos bastante desesperados.

Face ao cenário vivido, o Governo Provincial de Benguela promoveu ontem, Segunda-feira, 29, na sua sede administrativa, uma conferência de imprensa que serviu aos responsáveis das empresas de Águas de Benguela e Lobito e da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade, assim como da PRODEL, para apresentarem informações técnicas à volta do quadro energético e de fornecimento de água. De acordo com o director da PRODEL em Benguela, Pedro Barros, a província tem uma necessidade de 450 mil litros de combustível por dia para pôr a funcionar o sistema de energia eléctrica, mas a Sonangol, numa clara violação ao contrato, disponibiliza, de quatro em quatro dias, 800 mil litros, criando vários constrangimentos ao cidadão.

O responsável descarta, contudo, que o problema de falta de combustível se deva à indisponibilidade financeira por parte da sua empresa. “Temos um contrato de fornecimento de produto com a Sonangol. Se não disponibiliza as quantidades necessárias para a produção de energia, nós não podemos produzi-la”, justifica, suspeitando, por isso, haver falta de capacidade da petrolífera nacional para fazer face às necessidades à luz do que estabelece o contrato, insistindo que o problema não é da PRODEL, mas da Sonangol. No que respeita à produção, o responsável salienta que Benguela dispõe de 137 megawatts para fornecer a uma província com vários problemas em função do crescimento demográfico a que se assiste nos últimos tempos.

Governo admite deficiência no sistema

O Governo Provincial de Benguela admite, entretanto, que o quadro de fornecimento de energia eléctrica, sobretudo nos últimos dias, é bastante “deficitário”, devido à insuficiência de combustíveis nas centrais térmicas. Todavia, o executivo diz ter recebido garantia de que um navio petroleiro já se encontra no mar de Benguela. De acordo com o vice-governador para o sector Técnico e Infraestruturas, Leopoldo Muhongo, o Executivo vai continuar a dialogar com a Sonangol para se ultrapassarem os constrangimentos decorrentes do atraso no fornecimento de combustível. Em Benguela, muitos cidadãos acusam a ENDE de os sujeitar ao pagamento de valores em facturas que não se justifica, ou seja, pagam energia que não consumiram.

Questionado sobre o assunto, o director regional da ENDE em Benguela, Fernando Assis, salienta que a sua instituição deverá compensar clientes que tenham observado, ao longo de um determinado mês, várias restrições no fornecimento de energia eléctrica. Segundo o director regional da ENDE, a sua empresa recebe 130 megawatts para distribuí-la a 6 municípios, designadamente Benguela, Lobito, Catumbela, Baía-Farta, Cubal e Bocoio. Da disponibilidade acima referenciada, acresce-se 5 megawatts produzidos por uma central híbrida (solar e diesel), instalada no município do Bocoio, além de mais 2 megawatts da central do Cubal, esta última sujeita a restrições devido a problemas de fornecimento de combustível. “Nos últimos dias verificou-se um decréscimo no atendimento à demanda. No dia 26, tivemos um atendimento de 70 %; dia 27 decresceu para 16 e, no dia 28, decresceu mais para 2%. Houve praticamente um apagão no fornecimento de energia”, explica o responsável.

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