deputado da UNITA denuncia que despesa pública está a pagar “roubos”

deputado da UNITA denuncia que despesa pública está a  pagar “roubos”

Por: Constantino Eduardo, em Benguela 

O presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, denunciou que o Governo tem mais de 50 por cento da despesa pública destinada ao pagamento de “roubos” cometidos no passado.

Argumenta que este é o motivo que faz com que a gestão do Orçamento Geral do Estado(OGE) seja “absolutamente” deficitária. Segundo o líder da bancada parlamentar do maior partido da Oposição, que encabeça uma delegação de deputados que radiografa determinados sectores na província de Benguela, o país não está em crise, mas em “recessão”.

“Este termo recessão é técnico, só é assumido quando há três anos seguidos de crise económica, isto significa que aquilo que se produz está muito aquém daquilo que temos de necessidade”, sustenta.

Responsabilização

Adalberto da Costa Júnior mostra-se céptico quanto à responsabilização de agentes decorrentes de má prática de gestão. O político considera inconcebível que, em plena governação do Presidente João Lourenço, se assista à “falta de transparência”, como aquela que ocorreu para a entrada da quarta operadora de telefonia, mas que depois foi anulada.

Para ele, o verdadeiro combate à corrupção não está a ser feito. Por isso defende uma outra modalidade que tenha, fundamentalmente, como alvo a recuperação do elemento roubado. “Se se fizer um combate à corrupção e olharmos para o cenário da governação, não sei quem sobra”, afirmou.

O político, que falava à imprensa à saída da audiência com o governador provincial interino, Leopoldo Muhongo, diz que se divulga “em excesso” aquilo a que chama de “falsidade”, por se estar a relacionar a recuperação de activos do Fundo Soberano com o repatriamento de capitais no âmbito da aplicação da lei.

Adalberto Costa Júnior entende que o referido fundo não é um dossier do repatriamento de capitais, salientando que o Fundo Soberano tinha fundos próprios do Estado, investimento específico. “Isso não faz parte do repatriamento como tal”. Para a UNITA, o repatriamento de capital até hoje não tem balanço nenhum, porque não foi implementado e o Governo, estranhamente, não regulamentou durante o período de graça.

“E é isto que impediu alguns eventuais que quisessem fazer o repatriamento voluntário”, diz. O Grupo Parlamentar da UNITA está a visitar mais de 100 municípios no país, visando um contacto de proximidade para esclarecer os cidadãos sobre a importância das autarquias, uma vez que as discussões na especialidade à volta do Pacote Legislativo para as Autarquias iniciam neste mês de Maio.