Sacerdote apela ao Governo a decretar estado de emergência no Centro-Sul do país

Sacerdote apela ao Governo a decretar  estado de emergência no Centro-Sul do país

Em entrevista a OPAÍS, disse ser urgente a entrega periódica de uma cesta básica e abastecimento de água para se evitar um desastre humanitário.

Segundo Pio Wakussanga, só depois de se acudir as comunidades com alimentos, água e vestuário, é que se deve pensar em construir barragens, estruturas de água e outras medidas a longo prazo.

O sacerdote católico disse que o que tem sido feito pelo Governo são ajudas pontuais e esporádicas, mas inconsistentes para dar resposta à seca. Estão afectadas pela seca parte das províncias do Namibe, Cunene, Huíla, Cuando Cubango, Benguela e Cuanza-Sul, atingindo 41 mil pessoas que necessitam de ajudas urgentes.

Informou que na província de Benguela a seca afectou os municípios de Caimbambo e Chongoroi, na Huíla, para além do caso crónico dos Gambos, estendeu-se também à Chibia e ao Quilengues. Na província mais a Sul, o Cunene, a seca, decorrente da estiagem prolongada, à excepção do município do Cuvelai, afectou quase todo o território.

Na província desértica do Namibe, de acordo com o padre Pio Wakussanga, exceptuando Moçamedes, município sede da província, as demais circunscrições estão a sofrer os efeitos da seca.

Mostrou-se preocupado com o facto de as autoridades do Estado estarem a esconder o número de mortes causadas pela fome, decorrente da seca nestas cinco províncias. “Porquê que não se fala, também, do número de mortes de pessoas, em vez de só as do gado”, questionou, apontando haver mortes tanto nos grupos maioritários como minoritários nestas cinco províncias.

Apoio da igreja

Como nos anos anteriores, nos Gambos, onde é pároco da Igreja de Nosso Senhora de Fátima, o Padre Pio Wakussanga informou que a igreja que dirige, nesta circunscrição lançou uma campanha de emergência, apelando aos fiéis a se juntarem à causa com dinheiro, alimentos ou sementes.

Presentemente, está-se a limpar um terreno onde serão colocadas as sementes e posteriormente deitá-las à terra para germinar e fornecer alimentos e acudir a situação de fome.