José Fragoso defende abrangência na homenagem às vítimas dos conflitos políticos

José Fragoso defende abrangência na homenagem às vítimas dos conflitos políticos

Em entrevista aOPAÍS, Fragoso defendeu que a iniciativa do Presidente da República deve incluir todos os que verdadeiramente lutaram e morreram pela Independência Nacional, permitindo, deste modo, uma reconciliação nacional efectiva.

José Fragoso disse, também, ser necessário realizar o enterro condigno das vítimas e a construção de um monumento, como o dedicado a Agostinho Neto, aos Mártires do Massacre de Kifangondo e aos Heróis do Cuíto Cuanavale, e outros. Fragoso, que também foi vítima da violência de 27 de Maio de 1977, resultante de uma tentativa de golpe de Estado, segundo várias figuras do MPLA, defendeu ainda a emissão de certidões de óbito e uma indemnização às famílias dessas vítimas.

Disse querer ver para crer, recordando que o MPLA, partido no poder, há 27 anos havia feito uma declaração semelhante, mas sem ter concretizado o que tinha prometido. “O MPLA habitou-nos com declarações bonitas, digo isto porque desde 1992 que vem emitindo declarações com o mesmo teor, alegando a resolução dos problemas das vítimas do 27 de Maio.

Nós não estamos sépticos, mas damos o benéfico da dúvida devido aos cenários anteriores”, disse. Avançou que os sobreviventes destes conflitos maioritariamente são velhos e recebem apenas uma pensão de 23 mil kwanzas. “Alguns que não fizeram nada neste país são milionários.

Eu gostaria que esta franja que verdadeiramente lutou pela Independência fosse também incluída neste decreto para que a reconciliação nacional seja plena e efectiva”, acrescentou.

UNITA defende mais abrangência

O vice-presidente da UNITA, Raul Danda disse, por seu turno, diz que falar da libertação de Angola sem falar dos três movimentos que lutaram e dos morreram para libertá-la é falsear a história. O político defendeu o reconhecimento dos três movimentos que libertaram o país: a FNLA, o MPLA e a UNITA. Para Raul Danda, a iniciativa do Presidente da República é louvável, desde que seja abrangente. Sublinhou também que a mesma surge tarde, numa altura em que a situação se arrasta há 44 anos.

“Se quisermos falar de uma reconciliação de verdade, devemos ter no mesmo pé de igualdade um tratamento digno e condigno para Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi, seguindo-se de outros nomes que lutaram para libertar esta nação. É preciso reabilitar a imagem dessas pessoas”, defendeu.

O decreto rubricado pelo Preisidente da República refere que no quadro da consolidação do Estado Democrático e de Direito, considera um imperativo político e cívico do Estado angolano prestar condigna homenagem à memória de todos os cidadãos que tenham sido vítimas de actos de violência resultantes dos conflitos políticos ocorridos no período de guerra.

Trata-se do período que vai de 11 de Novembro de 1975 a 4 de Abril de 2002, incluindo a intentona golpista do 27 de Maio ou eventuais crimes cometidos por movimentos ou partidos políticos no quadro do conflito armado.