Banco Yetu estuda mecanismos de incremento de crédito às empresas e às famílias

Banco Yetu estuda mecanismos de incremento de crédito às empresas e às famílias

Qual é a sua expectativa em relação ao futuro da banca angolana?

O sistema bancário desempenha um papel primordial na dinamização do crescimento económico de qualquer país, tendo em conta a sua função de intermediação entre os agentes económicos aforradores e os tomadores de empréstimos. Por isso, o nosso país não foge a essa regra, razão por que a banca angolana deve prosseguir os esforços esforços para consolidar esse seu papel, contando, nesta fase, com o apoio dos programas do Executivo que visam a diversificação da economia. Um dos principais desafios consiste na necessidade dos bancos, através da sua associação, colaborarem mais activamente com o Banco Central e o Executivo na resolução dos constrangimentos que ainda dificultam o crescimento do crédito. Por outro lado, o sector bancário deve prosseguir na senda da melhoria constante dos níveis de prestação dos serviços tradicionais e na aposta em produtos e serviços inovadores e de valor acrescentado, eliminando definitivamente as dificuldades que os clientes ainda enfrentam em aceder tempestivamente aos seus recursos depositados. Finalmente, e não menos importante, temos de vencer os desafios de alinhamento às melhores práticas internacionais dos nossos processos e sistemas de controlo, visando a inserção definitiva da banca angolana no sistema financeiro internacional. Por isso, acreditamos que o futuro da banca angolana, tal como o futuro do país, tem de ser promissor.

Recentemente ficou-se a saber que grande parte do pessoal que trabalha na banca angolana, cerca de 30%, não tem formação. Que importância tem a formação para o banco que dirige?

A formação do Capital Humano é essencial, dado ser um investimento que as organizações modernas não podem descurar, sob pena de comprometerem o seu futuro. Por isso, faz parte dos nossos objectivos estratégicos assegurar acções de formação profissional permanentes e ajustadas às necessidades de cada colaborador . Entendemos que a formação contínua visa não só apoiar os colaboradores de forma a melhorarem o desempenho das suas actividades, mas, sobretudo, prepará-los para enfrentarem com maiores argumentos e competência os desafios futuros e desta forma garantirem o desenvolvimento da própria instituição. Actualmente, cerca de 70% dos colaboradores do Banco têm formação superior e o nosso orçamento para o presente ano inclui, no total de custos salariais, 12,5% de investimento em formação.

Em termos de crédito, qual é a previsão para 2020?

A nossa estratégia passa por criar, permanentemente, mecanismos de incremento ao crédito, quer às empresas como às famílias, já que a principal função de qualquer instituição financeira bancaria é, de facto, captar depósitos e transformá-lo em crédito. Solidarizando-nos com o Aviso 4/19 emitido recentemente pelo Banco Nacional de Angola, que define as regras sobre a concessão de crédito ao sector real da economia, vamos, por esta via, procurar incrementar com 2% do nosso activo a nossa carteira de crédito, mas não ficaremos por aqui, na medida em que o nosso plano de negócios prevê, no período de 2019 a 2021, um crescimento de 113% da nossa carteira de crédito, face aos indicadores de 2018.

O Executivo e os empresários reclamam que os bancos têm-se mostrado pouco activos em relação ao fomento da indústria, por via do crédito. O que se passa na banca?

Pensamos que existem vários factores que estão na base dessa situação, ou seja, existem várias causas inibidoras do crescimento do crédito em Angola. Vamos citar alguns: Do lado dos bancos, a existência de oportunidades mais atractivas de colocação dos poucos recursos e a existência de crédito malparado que condiciona a renovação do funding para a concessão de novos créditos; Do lado externo aos bancos, destacamos a falta de garantias, o nível elevado de taxas de juros e a inexistência de instrumentos para execução célere das hipotecas.

Há vozes que dizem que os bancos preferem conceder crédito ao Estado por dar mais garantias, ao invés do sector empresarial privado. Concorda com essa teoria?

Do nosso ponto de vista, a questão não se pode colocar de forma tão taxativa e linear. Com efeito, no actual contexto em que o sector privado tem muitas dificuldades em apresentar garantias, os bancos, naturalmente, priorizam o crédito ao Estado, onde o risco é praticamente nulo. Mas, como é evidente, em presença de propostas de crédito ao sector privado em que o risco esteja mitigado, os bancos preferirão esta opção, já que é mais atractiva do ponto de vista da remuneração, uma vez que as taxas de juros do crédito ao sector privado são geralmente mais elevadas do que as taxas pelas quais o Estado se endivida. Em suma, os bancos, enquanto entes privados que se movem por princípios de racionalidade económica, procuram sempre que as suas decisões de investimento tenham o maior equilíbrio possível entre a rentabilidade e a segurança, duas categorias económicas normalmente contraditórias.

Preveem abrir novos balcões pelo país?

Apesar da nossa estratégia de posicionamento no mercado, não passar pela proliferação de agências, já que pretendemos ser essencialmente banca corporativa e privada, temos a intenção de estar presentes ainda este ano em mais 5 centros económicos do país, nomeadamente nas cidades do Lobito e Benguela, onde já abrimos agências em Fevereiro, e nas cidades de Viana, Huambo e Lubango, nas quais, por esta ordem, ao longo do ano, abriremos igualmente agências do banco.

Do ponto de vista global, qual é a vossa expectativa em termos de novos investimentos para os próximos cinco anos?

Continuaremos a investir no nosso plano de expansão, que prevê a instalação gradual e sustentável de agências bancarias nos principais centros económicos do pais. Para o primeiro semestre deste ano, entrará em produção a parte complementar da nossa solução informática de AML, que tornará mais robustos os nossos mecanismos de combate ao branqueamento de capitais; Ainda este ano, prevemos a implementação de uma nova solução informática de Banca Electrónica que vai permitir ao Cliente ter o Banco sempre consigo, passando a dispor de um instrumento mais dinâmico e eficiente do que o actual. Destacamos também a implementação de um vasto conjunto de melhorias técnicas na nossa infra-estrutura de Sistemas de Informação e de Comunicações, visando a obtenção dos necessários níveis de segurança e disponibilidade de serviço, alinhado à evolução e às melhores práticas neste domínio.